De amiga para amiga… Conversa franca com Leticia Vilhena

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Conheci a Leticia à 23 anos atrás. Estudamos juntas da sexta à oitava Classe. Ela me foi apresentada no primeiro dia de aulas pelas nossas mães que se conheciam a anos e tinham algum grau de parentesco que até hoje não sei explicar bem qual é. Desde que comecei este projecto, desde o primeiro momento em que pensei convidar pessoas para contarem um pouco sobre a sua trajectória de vida e os passos que deram e têm dado para se tornarem nas pessoas que são, soube que queria que ela participasse.

Sempre quis sentar com ela para uma conversa franca e falar abertamente sobre a sua vida, as suas escolhas e do que era feita aquela mulher aparentemente tão calma, serena, bem resolvida que se encaixava muito direitinho dentro dos padrões da nossa sociedade.
Leticia Belani Ramos de Almeida Vilhena é uma jovem mulher de 33 anos de idade. Geóloga, casada, mãe de dois meninos. Ela vive em Luanda e é funcionaria da Chevron (CABGOC) aonde trabalha como geóloga de desenvolvimento.
Quando penso na Leticia, me vem a cabeça uma mulher calma, bem resolvida, educada e acima de tudo gentil.
Para poder traçar o seu perfil além de todas as conversas de todos os encontros destes mais de vinte anos de amizade em que tive a oportunidade e o privilegio de observa-la e de tirar as minhas impressões e conclusões a seu respeito; Achei que era crucial sentar com ela e ouvir dela, nas suas próprias palavras, como foi e como tem sido a sua caminhada, para isso estivemos juntas em duas ocasiões bem especificas:
A primeira vez foi num Domingo, no dia 30 de Agosto em 2015, no finalzinho da tarde, em minha casa, no meu escritório na altura. Sentamos para uma conversa séria, demorada, detalhada e reveladora.— em meia a tacos, sumos e uma salsa verde que ela adorou!— Na altura da nossa primeira conversa, a Leticia tinha apenas o filho mais velho, que nasceu em 2012.
Eu queria que ela falasse abertamente sobre as suas escolhas e sobre a sua vida. A Leticia é uma daquelas mulheres que parece ter a vida perfeita. De longe podemos até dizer que foi abençoada pela vida. “Teve sorte!“ É uma daquelas expressões que as pessoas costumam utilizar.
Mas é importante saber e mostrar para as pessoas que as aparências enganam, e que mesmo quando não passamos pelas mesmas dificuldades e não enfrentamos as mesmas batalhas todos nós temos as nossas dificuldades e as nossas adversidades.
Eu queria que ela me contasse como se transformou nesta mulher, o que faz diante das adversidades, quais são os seus medos e as suas duvidas. Queria que ela me dissesse aonde vai buscar forças quando a vida se torna difícil, em quem se apoia nos momentos difíceis e nós falamos sobre tudo isso e muito mais.

A Leticia conta que estudou cá em Luanda até a oitava classe, alias foi assim que nós nos conhecemos e depois foi para Santarém em Portugal em casa dos tios para terminar os seus estudos. No início foi complicado; Não tinha a mesma liberdade que estava acostumada cá em Luanda, perdeu o contacto com muitos dos amigos que fez cá em Luanda e com isso teve alguns problemas de socialização e de adaptação. Só conseguiu voltar a se socializar mais, quando entrou para a faculdade e esta já em Lisboa. Quando entrou para a Universidade, recuperou a sua independência, voltou a ter contacto com alguns angolanos, fez novas amizades e já tinha amadurecido um pouco mais.
A faculdade foi essencial, conseguiu abrir-se um pouco mais.
Na época da faculdade, numa primeira fase morou com uma amiga, e este este foi todo um episódio que teve os seus desafios, pois não é nada fácil conviver com alguém com uma criação completamente diferente da nossa. Mas depois encontrou um apartamento por um preço acessível para os pais pagarem e até o final da Universidade morou sozinha.

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A propósito das experiências que viveu perguntei a ela sobre as suas amizades. Se considera-se uma pessoa de muito ou poucos amigos?
Leticia: “Em tempos ouvi alguém dizer: As mulheres têm que deixar de se odiar tanto.
Nós somos chifrada mas odiamos umas as outras. Nós nos odiamos antes mesmo de nos conhecermos e perdemos muito com isso. Estamos muito viradas para a aparência.
Sou uma pessoa de poucos amigos e acho que a interrupção aos 16 anos quando fui para Santarém só aumentou ainda mais esse meu lado menos social. Não solidifiquei as amizades e acho que perdi muito com isso.“
Manteve algumas das amizades que fez antes dos 16 anos. Perdeu outras e estas não têm nada a ver com as que fez depois dos 18 anos.
“As amizades que consegui solidificar são poucas; Tu, a Djaima, a Indira que conheci através da Djaima, familiares e outras poucas.
Não sou uma pessoa extrovertida, de conhecer e criar novos laços. Mas hoje tem um grupo de amigas no trabalho que fazem parte da sua vida.
Tu viste no meu casamento. Não sou uma pessoa tão popular.
Amizade é isso, podemos não estar juntas todos os dias mas eu sei que se ligar para uma delas vamos ter boas conversas, ser sinceras, estar aí umas para as outras mas depois vamos cada uma voltar para as suas vidas. Não gosto da pressão de ter que estar aí todos os dias.

Eu concordo. Leticia tem poucos amigos, mas tem amigos fieis, é muito chegada a família e sabe valorizar as amizades que tem e eu sou testemunha de como ela cuida de cada uma delas.

Depois voltamos a falar do período de transição da faculdade e da sua volta para Luanda.
Assim que terminou a faculdade voltou logo para Luanda, não fez nem o mestrado porque estava com muitas saudades dos pais e da família. Regressou em Dezembro e foi aquela coisa; de certa forma voltou a ser dependente. Não tinha transporte próprio, sempre que quisesse fazer alguma coisa tinha que pedir dinheiro aos pais. Em Portugal tinha acesso aos meios de transporte públicos, baratos e confortáveis, tinha uma mesada que conseguia gerir e conseguia fazer a sua vida.
Quando regressou, sentiu que perdeu muito da independência que já tinha conquistado.
Teve alguns choques com os pais que naturalmente pensavam que ainda tinha que dar satisfações da sua vida a eles.
Mas admite que a sua volta foi bem mais fácil do que a de varias pessoas que conhecia. Em Maio do ano seguinte já estava empregada. Portanto cinco meses depois de regressar. Distribuiu o seu currículo pelas empresas e conseguiu o primeiro emprego através de uma prima que conhecia alguém que estava a procura de um profissional com um perfil como o seu.
Não teve os problemas que muitos tiveram. Teve um bom chefe que a ajudou bastante. Aprendeu muito.
Muito por conselho da mãe escolheu não dar ouvidos aos conselhos negativos que recebeu de amigos e conhecidos. A mãe a dissuadiu de aceitar as experiência dos outros como sendo as únicas experiências validas nas quais tinha que se basear. Disse-lhe que deveria seguir a diante, fazer a sua parte, concentrar-se no seu trabalho e dar o seu melhor. E foi isso que que ela fez.
Leticia reconhece que aqui em Angola não passou por muitas das dificuldades pelas quais tantos jovens passaram e passam todos os dias.

Foi trabalhar primeiro para à Halliburton, uma prestadora de serviços, não era exatamente aquilo que queria, nem se tratava de um serviço na sua área de formação mas era uma oportunidade, foi o que apareceu. Era uma área mais técnica.
Por algum tempo se sentiu frustrada por não estar a trabalhar no que queria, mas agradece pelos conselhos que recebeu das pessoas, principalmente dos pais e das tias que a encorajaram a manter-se na empresa em que estava pelo máximo de tempo possível. Tempo suficiente para adquirir alguma bagagem, uma boa reputação, experiência de trabalho e para a se dedicar, aprender e fazer bem o seu trabalho. E foi bom.
Mas reconhece que depois de algum tempo no mesmo lugar, acomodou-se naquele emprego. Não procurou outro emprego. Até surgiram outras oportunidades mas não quis sair muito cedo daquele emprego. Talvez porque não tinha adquirido experiência suficiente. Porque sempre foi muito bem tratada naquela empresa, foi muito bem recebida pela equipe e pelo seu chefe directo, teve ótimas oportunidades. Contudo, depois de cinco anos na Halliburton decidiu voltar a investir naquilo que era a sua área e no que realmente queria fazer.
Ela nos conta que uma das melhores decisões que tomou na sua vida foi aprender a andar com as suas próprias pernas;
Queria mudar de emprego mas ficava sempre a espera que a oferta caísse do céu. Até que um dia disse: “Não! Eu não vou depender de ninguém. Vou procurar e mostrar quem eu sou. As pessoas disseram que não precisava sair. Sair porque? Mas eu decidi it atrás do que eu queria.
Hoje está na Chevron à 2 anos a trabalhar na sua área. Ao entrar para a Chevron teve que começar do zero. Ao entrar para a Chevron, foi tratada como se tivesse acabado de sair da faculdade. Olhava para as colegas mais novos e percebia que existia ali alguma diferença. Já tem experiência noutras áreas. Foi bom ter trabalhado antes porque adquiriu experiência de trabalho e maturidade.
“Hoje percebo que valeu a pena.“

Perguntei a ela um pouco mais sobre as suas ambições profissionais e como lida com a duplicidade das tarefas e expectativas da mulher na nossa sociedade? Sobre como encara a possibilidade de avançar mais na carreira e o que faria se isso exigir de si mais tempo no trabalho?
Ela explicou que para ela trabalhar até mais tarde tem que ser algo muito pontual, especialmente com um filho pequeno. — Na altura desta entrevista a Leticia tinha apenas um filho de três anos.
O marido já deixa ficar o filho a creche, então prefere ser ela a ir busca-lo no final do dia pois não acha justo que seja ele a única pessoa com a responsabilidade de levar e buscar o filho à creche.
Ela disse claramente que acredita que para manter a família, os parceiros dentro da relação não podem se dedicar tanto ou apenas ao trabalho. Ela disse que não pode por exemplo ficar a trabalhar aos sábados porque este é um tempo que sente que precisa dedicar a família.

Eu perguntei a ela como pensa crescer mais no trabalho sem ter que por mais horas no trabalho?

Leticia: Depende da compreensão de um bom supervisor, depende da área em que estamos a trabalhar, e com quem estamos a trabalhar. Eu sou sempre muito clara com o meu supervisor, falo sobre os meus problemas mas mostro competência no meu trabalho.
Ela também disse que não gosta de pensar muito no futuro. Encara um dia de cada vez. Já pensou mais a respeito mas olha para as mulheres com quem trabalha, olha para a empresa aonde trabalha e vê as que estão bem. Olha para a suas superiores e pergunta a essas pessoas como elas conseguem? E uma coisa que não tem receio em fazer é pedir conselhos destas mulheres.
“É claro que as vezes temos que dar mais pelo trabalho, outras vezes mais pela família e tentar arranjar o equilíbrio que nunca se encontra. Que nem sempre se consegue.
E contou que esta é uma das suas duvidas:
Leticia: Se vou conseguir crescer na empresa e na carreira? Ainda quero ter mais um filho. Só mais um! ( Isso felizmente ela já conseguiu) Mas não sei se depois do segundo filho vou conseguir. Se vou me acomodar. É uma duvida que eu tenho e um medo também.
Ninguém sabe o que é que nos espera amanhã. Hoje o meu marido apoia-me mas não sei se amanha dependendo de como as coisas evoluírem se vou ter o mesmo tipo de apoio ou não. Saber agarrar as oportunidades e gerir bem.

E Mais uma vez, eu sou testemunha que ela tem conseguido gerir bem. Pois como bem sabemos, o ser humano aprende a se adaptar a novas situações com muito mais facilidade do que pensa. Pois bem, Ela teve o segundo filho que tanto queria e continua a fazer o seu trabalho bem feito,  continua a ter o apoio do seu marido e da sua família. Eu acredito que isso tem muito a ver com o facto de que ela sabe gerir as coisas. Aprendeu a dividir o seu tempo e a sua atenção.

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E claro, já que tínhamos tocado no assunto, não tinha como não perguntar a ela sobre o casamento e como estava a ser a sua experiência enquanto uma mulher casada.
Sobre o seu casamento e estar casada ela contou o seguinte:
Leticia: “O casamento não é fácil, mas encontrei uma pessoa que tem os mesmos valores e objectivos.“
A Leticia e o marido querem as mesmas coisas da vida. Logo que casou teve casa própria em um bairro considerado nobre. Sabe que é privilegiada neste aspecto. O maior problema que teve foi com o transito. Ter que acordar muito cedo e ter que enfrentar um transito infernal logo cedo pela manhã e novamente ao final do dia. Isso é daquelas coisas que desgasta qualquer um, porque depois de passar tanto tempo no transito chega a casa exausta sem animo para fazer mais nada. Apenas estar com o marido e o filho, organizar as coisas para o dia seguinte e dormir.

Por passar tanto tempo presa no transito da nossa cidade, percebe que as pessoas estão carentes de um certo civismo. Vê que falta educação as pessoas. Nós angolanos não temos ideais, não estamos a trabalhar para um objectivo comum. Somos individualistas. Não somos um povo. Esta cada um por si e Deus por todos.
Posso até estar a ser injusta mas vejo isso no transito, parece que as pessoas saem de casa para “lixar“ as outras. A vida já está difícil para todos mas ninguém pensa na pessoa do lado.
O meu marido diz que eu deveria ser polícia de transito. Acho que muita coisa pode ser observada pelo nosso transito, muitas vezes um bom dia pode ir por água a baixa com uma chatice no transito. E é nisso que ela tenta fazer diferente;
Eu respeito os sinais. Tento fazer a minha parte tento manter os meus princípios até ao fim. É difícil, as vezes irrito-me mas faço o melhor possível.

Ela conta que sente falta daquela vontade de sair a noite. Eu gosto tanto de dançar!
Nunca mais tive aquela vontade de sair para ir a discoteca.
Hoje outras coisas se tornaram prioridade. Perguntei a ela o que da sentido a sua vida?
Ela relutou um pouco disse que as perguntas eram muito profundas, mas respondeu:
É isso… Eu neste momento olho para mim e digo que a minha vida é a minha família. O meu marido e o meu filho(s). É isso! Eu vivo para eles e para o meu trabalho e é isso que me completa.
O meu foco é o meu emprego, estabilizar, crescer e cuidar da minha família. São essas as prioridades da vida, hoje as três coisas mais importantes da sua vida são:
O filho na altura e hoje presumo que sejam os dois filhos
O meu lar (minha família, meu lar)
A minha família, os meus pais, irmãos. Saber que tenho uma família coesa. Consigo ter os meus pais juntos num mesmo ambiente, saber que todos conseguem conviver de forma saudável.

Seu porto seguro?
Quando não é o marido, ela diz que é a sua tia que é sua madrinha de casamento que varias vezes já mostrou que sabe dizer a coisa certa no momento certo.
Eu aperto um pouco mais e pergunto mais sobre a vida e sobre o que ela tem observado principalmente em relação as expectativas da sociedade:
Ainda temos muitos assuntos que são tabus. Aceitação da traição. Achar que é algo tolerável e as vezes não é.
Casamento não é realização. Aprendi isso até muito tarde, mas hoje gosto de passar isso para as minhas colegas mais novas. Antes de procurar alguém tenho que aprender a gostar e estar bem comigo mesma. Eu gosto de mim e se estiver com alguém tudo bem. Mas se não estiver também estou bem. Se não estiver casada também estarei bem.
“Eu vejo que alguns homens têm muito medo das mulheres realizadas. Bem sucedidas
Gosto da Chimamanda Ngozi Adichie, do feminismo dela.
Eu acho que os homens sentem-se um pouco incompetentes;
“Se ela já tem tudo eu vou lhe dar o quê?“
Eles não percebem que o carinho, amor, só isso basta. Que isso é que é importante.
“Ela, a Chimamanda não tem um discurso de porque nós mulheres … Ela acha que as mulheres merecem amor, carinho, companheirismo e igualdade.

Diante de tudo isso, da vida que ela esta a construir ao lado do seu marido fiquei curiosa para saber se ela tinha medo de alguma coisa?
Leticia: Perder alguém que gosto. Graças a Deus nunca aconteceu mas é esse o seu medo.
Um dos grandes medos que tem é de não conseguir transmitir uma boa educação para os seus filhos. Não saber no que eles vão se transformar. Olha para as mudanças. Vê as crianças tão agressivas. Vê coisas que antigamente eram impensáveis.
Tem medo de não conseguir acompanhar a evolução dos tempos, de não conseguir colocar o travão quando for necessário. Olha para o filho (mais velho) que já tem uma personalidade forte e isso a faz pensar muito sobre como aduca-lo.
Conversa muito com o marido sobre esses pormenores todos, educação, escolhas, falam muito sobre o filho. Se vão conseguir educa-lo da melhor maneira possível.
“A educação do nosso filho!“ A verdade é que ainda é muito cedo para dizer, mas eu olha ela e o marido e eles emanam amor pelos filhos. São pais presentes, preocupados e carinhosos com o filhos. Mas sabem ser firmes e estão a passar para eles valores como dignidade humildade, educação. conseguimos ver que até o momento têm feito um ótimo trabalho.

Então eu perguntei a ela se ela liga, ou se deixa influenciar ou afetar pela opinião dos outros?
Leticia: Só ligo para a opinião das pessoas que eu conheço. Se for um estranho não deixo que me afecte. Muitas vezes as pessoas falam sobre a vida alheia sem conhecimento de causa.
Não precisamos seguir a risca o que as pessoas que nos conhecem dizem a nosso respeito mas devemos considerar e pensar a respeito
Não tolero pessoas sem filtro. Pessoas que acham que as suas verdades são absolutas. Temos que ter cuidado e ter consideração pelas outras pessoas e os seus sentimentos.

Perguntei a ela aonde e em quem ela se inspira?
Leticia: Olho muito para as mulheres da minha família, para as minhas tias tanto do lado do pai como da mãe. Mulheres que desde muito cedo perderam o apoio dos pais. A minha avó morreu cedo. E tanto a minha mãe como as minhas tias não tiveram uma vida fácil mas souberam seguir a diante. Hoje (data da nossa conversa em 2016) só uma das minhas tias está casada. Muito cedo perderam os parceiros.
A minha mãe também, depois de se divorciar do meu pai, passou por alguns momentos difíceis mas superou. Tem a sua vida, a sua carreira.
O meu pai é regrado, disciplinado, dedicado. Vejo ele hoje com as suas aulas de viola: disciplina, dedicação, aplicado e perseverante.
Espero inspirar assim: Olhar sempre para o lado bom das coisas. Tem que haver sempre algo bom para o que sai da vida. Aprender sempre com tudo.
Aproveite a deixa apara perguntar a ela três das suas qualidades mais notáveis ela mais uma vez relutou mas acabou por citar duas:
A primeira é que ela é muito metódica, gosta de tudo certinho,
A segunda, procura sempre o lado positivo das coisas ou das pessoas
E quando perguntei a ela as qualidades que os outros vêm nela?
Ela não precisava nem dizer mas disse e eu concordo plenamente:
Calma e meiga. Organizada!

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Como se mantém informada e actualizada?
Assiste sempre o telejornal por influencia tanto da mãe como do marido. Muitas vezes acha as noticias caricatas, não concorda com algumas coisas, mas acha importante ver as noticiais do nosso país. “Acho muito triste ouvir outros jovens dizerem que não vêm TPA.“

Os seus Hobbies:
Gosto de ver series, gosto de ver os meus programas fúteis, gosto de programas de decoração de interiores, programas de culinária. Não sou nenhuma especialista mas gosto.

As suas paixões?
Gosta muito de fazer compras. Ajuda muito a tirar o estresse desde os tempos de faculdade.

É uma pessoa responsável? Sempre foi?
Sempre fui muito responsável. Deveria ser um pouco mais solta de vez em quanto. Mais aventureira.
Pés no chão sim. Não sou uma pessoa de sonhos. Acho que as vezes é necessário sonhar um pouco mas não.
Vivo consoante a minha realidade.

Prioridades hoje na vida?
Uma família e um relacionamento são e com saúde.

Que legado pensa em deixar? 
Não gosta de aparecer mas tem a pretensão de deixar uma boa imagem. Fazer as coisas bem feitas.

E quando já estávamos a terminar tive que perguntar a ela que tipo de mulher sempre quiz ser?
“Uma mulher que sabe o que quer, confortável consigo mesma. Uma mulher com ideais“.

E porque a nossa vida não é feita apenas das coisas que escolhemos mostrar e partilhar com os outros, perguntei a ela que lições de vida gostaria de passar?
“Temos que estar bem connosco mesmas. Não devemos ter pressa, respeitar a si mesma.
Aprendeu a lutar por si e pelo que quer, saber andar com as suas próprias pernas. A salvação é individual o resto esta ai só para dar uma ajudinha.

Sobre o que tem e conquistou até hoje?
                                        “It is not luck. I prayed a lot for what I have today.“
O que eu tenho hoje. O que eu sou hoje e se eu cuido tanto é porque eu quiz muito estar aqui. Eu dou muito valor ao que eu tenho hoje. Já cometi muitos erros, não tive uma irmã mais velha para me orientar…
O que eu tenho hoje é sagrado!
Uma coisa que a minha mãe me ensinou foi agradecer a Deus pelas coisas boas e pelas menos boas também.
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Para a nossa segunda conversa fui eu quem tive que me deslocar até a casa da Leticia no final da tarde de sábado, 23 de Janeiro de 2016.
Está segunda conversa foi mais informal e falamos primeiramente sobre beleza. Ela me recebeu de forma carinhosa, alias como sempre o fez. Abriu as portas da sua casa e nos mostrou sem hesitar todos os seus produtos, falou sobre a sua rotina de beleza e ainda partilhou muitos dos seus truques e segredos de beleza. Quando cheguei, na casa, estavam; Ela, a sua mãe e o seu primogênito que foi muito simpático — também quis ser entrevistado. Ele foi a busca das suas coisinhas e nos mostrou todos os seu bonecos e brinquedos.
Eu Lembro que em preparação para a nossa conversa eu disse a ela que faria fotografias dos produtos de beleza e dela, aconselhei-a a prepara-se da maneira mais confortável possível. Mais uma vez a Leticia não desapontou seguiu as minhas recomendações a risca. Nos recebeu de cara lavada, sem uma gota de maquiagem. Com o cabelo preso mas sem fru-frus, estava radiante e serena mais ainda do que o costume, talvez porque, — esse detalhe só vim a saber alguns meses depois— na altura ela estava no inicio da gravidez do seu segundo filho.

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Em sua casa ela foi buscar os produtos que mais usa e colocou todos por cima da mesa de jantar.
Começou por mostrar o que usa para o banho:
Não uso nenhum gel especial. Para o banho da noite ou final de semana uso o óleo da Boticário para deixar a pele macia e cheirosa. Depois passo o creme do corpo. Gosta de usar o da Uriage que é bem espesso, hidrata bem a minha pele que é bem seca. Descobri o creme da L’Occitane en Provence que também é bem espesso e gorduroso. Sinto a pele bem hidratada além de ter um perfume muito agradável.
Desodorante: Nautrali da Boticario e Uriage.

No Rosto uso o seguinte: Creme para a cara e o gel de limpeza do rosto também da Uriage para peles mistas e oleosas e tem um componente que ajuda a combater a acne que é um problema que ela tem. Isso ajuda.
Começou a usar a linha da Bioderma, sente a pele bem levezinha mas também bem hidratada. Quando sabe que vai ficar exposta ao sol usa creme com protector solar, também da Bioderma.

Nos pés: Usa um creme gordo da Barral. Tem os pés muito secos. Acho esse creme muito bom. Deixa a pele realmente hidratada
A nivea azul nunca falha, principalmente quando vai a paria. Usa para proteger a pele e ajuda a não despelar.

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Para o cabelo: Sempre usou L’Oreal , mas agora esta a usar a linha da Coconut Water. Usa a linha toda e o creme da Olive Oil. Comprou a linha toda da Argon Oil e agora está a usar a linha da Coconut water. Na altura da nossa conversa sobre beleza estava a um ano sem desfrisar o cabelo. Esta completamente natural.
Os tratamentos que faz são geralmente em casa. Compra uma ampola, uma mascara, oleo de coco e uma vez ou outra vai ao salão fazer uma mize mas no verão faz menos coisas porque faz mais compras. Geralmente não gosta de fazer tratamentos fora.
Uma vez ou outra faz uma exfoliação corporal.
Começou a usar Uriage por recomendação de uma amiga. Gosta de ir buscar indicações na net e também testa as coisas na loja e fica apenas com as coisas com as quais se identifica.

Nas unhas: Usa gelinho mas deixa sempre uma pausa entre uma aplicação e outra mas eu pude reparar que ela usa de uma forma discreta. Ousa nas cores mas ainda assim é descrita

Quando o assunto é Maquiagem: Gosta de usar bases da Kiko ou a stick foundation da Bobbi Brown.
Não tem muito tempo para maquiagem no dia a dia leva para tirar a oleosidade da pele e usa uma base leve. Depois aplica o pó mate da MAC para assentar a maquiagem. Usa blush da MAC e Bobbi Brown.

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Nos lábios: Uma das coisas que gosta é fazer exfoliação e hidratação dos lábios. Acha importante cuidar dos lábios. Quanto aos batons: Logo reparo que gosta de MAC. Usa varias cores; desde os rosas, vinhos, vermelhos. alaranjados. Os mais ousados usa em ambientes mais sociais do que profissionais.

Gosta de passar o lapís preto nos olhos e depois em relação a mascara de pestanas (rímel) vai variando.
Sombras: Gosta de pintar e sempre com os pincéis não gosta de usar os dedos. Para fazer sombras bonitas leva mais ou menos 15 minutos. Durante a semana não pinta os olhos. Prefere adotar um “look“ mais simples.
Tem varios pincéis e de varias marcas, Naked da Urban Decay; Sigma kabuki para espalhar a base. Bare Minerals, MAC, Bobbi Brown.
Já teve mais paletas de maquiagem mas como não usa foi oferecendo. Acha importante ter técnica para pintar bem os olhos e pelo menos para ela é algo que leva tempo. Foi pesquisar na internet e ficou apenas com aquelas que têm as cores que mais usa.

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Quase no final da nossa conversa fomos até a casa de banho aonde ela nos mostrou todas as outras coisas que tinha. Desde os vernizes, o resto dos cremes para o cabelo e corpo. O resto da sua coleção de batons, óleos, perfumes, as necessárias de beleza. Mencionou o perfume de cabelo que comprou depois das conversas dos chás de beleza que ainda não tinha usado por receio e falta de oportunidade.
Perfumes para o corpo usa dependendo do dia e da ocasião.

Os perfumes que já usou até acabar são os da Chanel. Gosta de perfumes florais e suaves. Não gosta de perfumes doces.
Bioderma, Lancôme, Uriage são as minhas marcas.
mostrou o creme da L’Occitane en Provence que comprou depois da recomendação do segundo chá de beleza. Quer começar a usar e ver se a pele fica mesmo como de bebé.

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E sim, basta olhar para ela. Basta ficar quieta e observar bem a forma dela de ser. A maneira como ela se relaciona com familiares e amigos, a forma como cuida dos filhos e se relaciona com o marido. O seu cuidado, a forma educada como fala com as pessoas. Essa é a Leticia…

Uma mulher com os pés bem fincados no chão. Uma mulher que cuida daquilo que conquistou. Que tem no seu lar e na sua família o seu porto seguro. Que cuida com muito carinho daquilo que tem, porque é seu e é sagrado! Porque só ela sabe o que lhe custou ter o que tem hoje.

4 Comments Add yours

  1. Joelma Vilhena diz:

    Muito interessante a entrevista. Estás de parabéns amiga, faço votos de muito sucesso.
    Um beijinho
    Joelma Vilhena

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    1. marceladeaguiar diz:

      Obrigada Joelma
      Beijinhos

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  2. Anabela diz:

    Oi sobrinha adorei este trabalho, estas de parabéns. Jinhos😘

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    1. marceladeaguiar diz:

      Obrigada Tia,
      Eu agradeço por ter na minha vida, uma prima e amiga como a Leticia

      Gostar

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