Dezembro: Luto, Câncer de Mama, Mulheres bem sucedidas e o futuro do Blogue.

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Dizer que o destino é caprichoso seria pouco para o momento que estou a viver. Esta publicação de introdução no inicio do mês por exemplo estava para sair no final do mês de Outubro e o tema central da mesma seria para falar sobre a luta contra o câncer de mama; Como o mês de Outubro é o mês dedicado a consciência e a luta contra essa doença tão feia e nefasta. Mas no final,  as publicações do mês de Outubro não sairam  porque um mês que tinha tudo para ser corriqueiro, acabou por ser o mês mais difícil da minha vida. Mas Outubro passou, Novembro também e cá estamos em Dezembro e espero que mesmo com a dor esse seja um recomeço auspicioso.

O choque e dor com a morte repentina do meu pai

Receber a notícia da morte do meu pai na noite de sexta-feira do dia 20 de Outubro de 2017, foi o pior baque da minha vida. O meu mundo caiu e isso mexeu profundamente com tudo na minha vida. Como consequência eu mudei várias coisas na minha vida e como não poderia deixar de ser, no programa do blogue. Assim que consegui voltar a raciocinar eu sabia que teria que escrever o meu primeiro ensaio para falar em detalhes sobre o meu relacionamento com o meu pai e como tem sido viver os dias mais difíceis da minha vida e me preparar para viver o resto da minha vida sem a presença física daquele que sempre foi o meu porto seguro.

Conversa franca com Sonia de carvalho sobre Câncer de Mama 

A segunda publicação do blogue para o mês de Dezembro é uma conversa franca que tive com  a Sonia de Carvalho. A Sonia foi um amor de pessoa e falou comigo abertamente sobre a sua experiência com câncer de Mama. A conversa estava programada para o final do passado mês de Outubro, infelizmente não foi possível terminar a publicação naquela altura. Como resultado eu acabei por ter mais tempo para reflectir sobre a conversa que tivemos sobre a experiência da Sonia e decidi juntar a esta conversa uma outra conversa que tivemos em Abril aonde falamos sobre os seus produtos e rotina de cuidados de beleza.

Que eu saiba, nunca perdi alguém realmente próximo para um câncer de mama. O câncer é uma doença aterrorizadora. Já perdi pessoas próximas para outros tipos de câncer mas nunca para o câncer de mama. Por isso pensei em sentar e conversar com alguém que pudesse partilhar e falar sobre a doença na primeira pessoa. O câncer de mama é muito pessoal, toca as mulheres em algo que afecta muito a sua femininidade, pode afectar qualquer um.  É uma doença silenciosa e por isso temos que estar bem informadas. Decidi conversar com alguém que viveu isso na pele e pedi a ela para contar como foi a sua experiência (Como foi viver isso).

Desde 2015, durante o mês de Outubro uso a fita rosa todos  os dias para manter viva na consciência das pessoas, mesmo que seja apenas durante um mês, o facto de que ainda estamos a procura da cura. Já usei e fiz campanha para o uso do lenço na cabeça para conscientizar as pessoas próximas e não só, sobre a doença.

Quando não sentimos na pele, e quando não somos autoridades sobre o assunto e se ainda por cima não formos pessoas disciplinadas corremos o risco de negligenciar a nossa saúde, deixamos de estar alerta, de fazer tudo que esta ao nosso alcance para prevenir ou detectar o câncer logo no início.  Eu mesma já tive um pequeno susto e só isso fez-me ver como é tudo muito frágil e como num instante tudo na nossa vida pode virar do avesso. E quando em 2013 por um instante eu pensei que poderia ter câncer de mama, ou que poderia não estar bem (felizmente não passou de um susto) eu comecei a perceber um pouco como somos frágeis.  Mais tarde, em 2016,  quando descobri que tinha Endometriose (Um assunto sobre o qual falarei  numa outra ocasião) tudo que me veio a cabeça foi: Não vou ter a vida que eu sonhei, não vou ter os meus filhos, os meus pequenotes não vão se lembrar de mim. Pensei no legado que quero deixar para os meus pequenos. Por isso não podia deixar de conversar com algum que infelizmente viveu por estes momentos mas que felizmente hoje está bem.

Eu vivo para mim sim mas penso muito no exemplo passo para os meus pequenos e no legado tangível que quero deixar não apenas para os meus pequenos mas para o mundo,  Quero deixa-lo escrito em português, com os meus erros e falhas, mas ainda assim é melhor do que a alternativa que é não deixar nada ou deixar algo que não tenha nenhum tipo de impacto ou significado. Fazer a diferença, melhorar, contribuir, agregar significado. O que fizemos pode até ser pequeno desde que seja significativo.

Novos Projectos para o Blogue

Outubro para mim é o ultimo mês do ano. O meu ano começa em Novembro, este ano isso nunca foi tão verdadeiro, já que pela primeira vez na minha vida o dia do meu aniversario que calha no dia dos finados (mortos) foi também o dia de visitar a campa do meu pai. Por isso esse Dois de Novembro, mais do que qualquer outro, foi um dia  para reavaliar tudo.

Antes da morte do meu pai eu já havia feito uma pausa no blogue. Eu queria fazer algumas mudanças, depois a necessidade de mudar ficou ainda mais evidente. Nunca escondi que gosto de pessoas fortes que têm a coragem de viver a vida sem travas e que não deixam que seus medos paralisem suas vidas, seus projectos. Quanto mais coisas temos em mãos mais difícil tudo pode ser. Neste mês de Dezembro também vou partilhar uma conversa enriquecedora que tive com duas mulheres que respeito e admiro; Ginga  de Aguiar Cristóvão Vaz da Conceição e Rolanda Machado,  falaram sobre suas carreiras bem sucedidas, sobre as suas escolhas de vida, sobre a maternidade, seus relacionamentos, seus casamentos  e muito mais. A conversa que tive com estas  duas mulheres em Junho de 2016 abriu os meus olhos para muita coisa; em especial, para quanto (esforço, trabalho, dedicação, determinação )  custa ter a vida dos nossos sonhos. Eu espero que assim como tudo que elas partilharam e continuam a partilhar pelo exemplo e forma como vivem suas vidas também inspire muitos de vocês.

Ler, Livros  e a importância de estimular o gosto pela Leitura

Vamos voltar a falar um pouco mais sobre leitura e literatura. Vou falar sobre o clube de leitura e sobre os meus planos para criar um clube de leitura virtual e da minha minha campanha para retomar o clube de leitura que tinha com as minhas amigas. Ao falar sobre leitura também vou falar sobre educação e sobre o papel que a leitura tem nas nossas vidas.

Vou fazer algumas recomendações de livros: Animal Farm do escritor Britanico George Orwell,  Half of a Yellow Sun da escritora Nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie e vou falar um pouco da minha experiência em ler obras de literatura que dão um pouco mais de trabalho como Brothers Kamarazov do escritor russo Dostoyevsky.

A vida Tal como ela é, contada na primeira pessoa aqui no blogue 

Eu tenho feito um exercício constante e consciente para mostrar a minha vida tal como ela é. Tal como eu a vejo. Ninguém nos mostra ou nos ensina como nem o que fazer para conseguir ser tudo aquilo que aspiramos ser. É duro para muitos de nós. É muito duro, e muitos nem sequer conseguem lá chegar. Talvez o segredo esteja em tentar. Mas como? Se muitos de nós (eu inclusive) nem sequer soubemos por onde começar. A minha resposta é correr atrás. Tenho entrevistado pessoas, Tive várias conversas com pessoas que respeito e admiro, tento olhar para além da superfície, para além das aparências ou apenas daquilo que nos é apresentado.

Uma das coisas que faz com que eu continue a fazer o meu trabalho como escritora e blogueira foi algo que o escritor Nigeriano Chinua Achebe disse numa entrevista:

“There is that great proverb- that until the lions have their own historians, the history of the hunt will always glorify the hunter. That did not come to me until much later. Once I realized that, I had to be a writer. I had to be that historian. It’s not one man’s job. It’s not one person’s job. But it is something we have to do, so that the story of the hunt will also reflect the agony, the travail – the bravery, even, of the lions.” 

“Tem um grande provérbio Africano que diz algo como:  Que enquanto os leões não tiverem os seus próprios historiadores, a historia sobre a caça ira sempre glorificar o caçador. Eu só percebi isso mais tarde. Mas quando me apercebi, eu soube que tinha que ser um escritor. Eu tinha que ser aquele historiador. Não é o trabalho de um só homem – Não é o trabalho de uma só pessoa. Mas é algo que temos que fazer para que a historia da caça reflita (também) a agonia, a tortura – a bravura , até, dos leões.”

Eu escrevo sobre o quotidiano, sobre as pessoas e sobre a vida (“real”), porque tudo isso sempre me fascinou. Porque acho que as nossas historias, as nossas vivências merecem ser contadas; desde a forma como expressamos as nossas emoções; ao modo como cada um de nós lida com as dificuldades do dia-a-dia, os momentos de felicidade, o trabalho, os nossos amores e as nossas dores. É Importante compreender que a vida de cada pessoa que nos rodeia é de verdade e não uma mera fantasia que criamos nas nossas cabeças. As nossas experiências são validas. Acho que sempre podemos descobrir muito uns com os outros. Com as experiências e as vivências uns dos outros. Mas é preciso saber observar e é preciso saber contar cada historia. E mais importante é preciso que mesmo entre trancos e barrancos sejamos nós a escrever as nossas próprias historias.

Para a vida ser significativa, tem que ter significado. Até para dançar bem precisamos nos dedicar, praticar, suar. Elimine tudo que for toxico, tudo que não lhe faz bem, que não lhe encoraje. Paciência é a pior parte. Eu sou muito ansiosa e quero sempre ver  logo os resultados. E quando isso não acontece, em outras palavras 80% do tempo, eu me frustro, duvido de mim mesma. Por isso é importante saber o que queremos ser, a vida que queremos ter, o tipo de pessoa que queremos ser e é isso que nos ajuda a tentar novamente, a arregaçar novamente as mangas. Viver a vida que queremos ter requer entrega e determinação. Para mim, viver esta vida implica; continuar com o blogue, continuar a escrever mesmo com os erros e com os obstáculos, continuar a procurar pessoas interessantes e poder contar um pouco das suas historias. Promover novos encontros, criar novas experiências; Falar, explorar e defender o meu gosto pela leitura, pela escrita, por gastronomia, beleza e muito mais. Conhecer mais sobre pessoas com vidas interessantes e falar mais sobre como estão a construir suas carreiras,  ver as pessoas partilharem seus rituais, produtos e tratamentos  de beleza. Falar sobre decoração, partilhar como têm conseguido construir suas carreiras, e ter uma vida que serva de exemplo para várias outras pessoas. E partilhar tudo isso sempre.

One Comment

  1. Teresa BAMBA diz:

    Meu sentimentos Marcela , não é fácil passar por isso , que Deus te dê força nesse momento tão difícil.

    Enviado do meu iPhone

    No dia 29/11/2017, às 17:58, Marcela de Aguiar <comment-reply@wordpress.com> escreveu:

    marceladeaguiar posted: ” Dizer que o destino é caprichoso seria pouco para o momento que estou a viver. Esta publicação de introdução no inicio do mês por exemplo estava para sair no final do mês de Outubro e o tema central da mesma seria para falar sobre a luta contra o câncer “

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