Quer saber quanto custa uma saudade?

IMG_3883

“Mais importante do que aquilo que deixamos para os filhos, é aquilo que deixamos dentro deles.”

Os meus pais passaram para mim e para os meus irmãos valores moreis, nos ensinaram a distinguir o que é certo do que é errado, nos ensinaram a caminhar com as nossas próprias pernas e a fazer as escolhas certas. Eu dou graças pelo facto de que nunca quis ter um outro pai. Nunca quis ser filha de outra pessoa e eu devo isso a educação e aos ensinamentos que recebi tanto da minha mãe como do meu pai. A Bíblia diz que devemos “amar a Deus sobre todas as coisas e respeitar pai e mãe”. Muitos podem considerar blasfémia da minha parte, mas para mim Deus sempre foram os meus pais. E faço minhas as palavras do cantor e compositor Angolano Matias Damásio, quando ele diz na musica dedicada ao seu pai: “Meu pai sempre foi a minha luz no escuro e meu Deus na terra”. Meu pai sempre foi o meu Deus de carne e osso. Aquele que sempre amou os seus filhos e a sua família, sempre cuidou de nós. Quem sempre ouviu os meus lamentos e as minhas preocupações, quem me deu carinho, conforto e consolo, Aquele que sempre me protegeu e amparou. Ele sempre foi o meu, o nosso herói.

Aquela semana  começou como outra qualquer. Na tarde do dia 15 de Outubro, como já era nossa tradição aos Domingos o meu pai ligou para mim:

Pai: Filha estas em casa?
Marcela: Estou sim Pai. Estou a cuidar do meu cabelo.
Pai: Quando estiveres desocupada, vem. Preciso falar contigo?
Marcela: Esta bem Pai.

Assim eram as nossas conversas aos domingos. Ele ligava para mim, hora porque queria me ver, ou porque queria que eu fizesse algo, ou simplesmente porque queria saber de mim. Ele ligava constantemente para todos os filhos.

Assim que acabei de cuidar do meu cabelo, algo que eu geralmente faço aos domingos. Subi para comer alguma coisa, estar com os meus pais e ver o que o meu pai queria de mim e, naquele domingo não foi  diferente. Posta lá, o meu pai estava sentado na varanda como era costume dele, olhou para mim e disse:

Pai: “Temos que fazer algo para o aniversário da mãe! Um jantar, algo pequeno. Como foi no aniversário do Claudio (meu irmão que faz anos em Setembro).  Vê quanto vais precisar e para a semana o pai entrega-te o dinheiro.”

E assim foi a nossa conversa. Segunda e terça-feira falei com as minhas irmãs e com a minha cunhada para saber o que elas queriam comer e como queriam contribuir para o aniversário naquela sexta-feira dia 20 de Outubro. Durante a semana começamos a organizar as coisas. Todas concluímos que faríamos um jantar íntimo mas elegante com comidas simples e leves; Uma salada de cous-cous  que foi o pedido da minha irmã mais velha (Ginga), um assado que foi sugestão da minha outra irmã (Bendita), muita Champagne que tinha ficado sobre a responsabilidade da minha cunhada (Irina) e para convidados seriamos nós; os filhos, os netos e uma ou duas tias e amigas próximas da minha mãe. No meio da semana o meu pai entregou-me o dinheiro para fazer as compras e eu comecei a preparar as coisas. Quinta-feira almoçamos todos juntos como    é costume em nossa casa. O meu Pai perguntou pelo meu irmão mais velho (Ciel) de estava fora do país à trabalho. Depois do almoço cada um de nós voltou para os seus afazeres. O meu pai saiu com o motorista, eu foi fazer compras para o jantar, as minhas irmãs foram trabalhar e a minha mãe ficou em casa.

No início da noite cheguei a casa carregada de compras. Em casa estavam: O meu pai, o meu sobrinho mais velho (Enzo) e a minha mão. Arrumei as compras e comecei a organizar a loiça para o jantar do dia seguinte. Pedi ajuda ao meu sobrinho com um dos moveis aonde queria colocar a comida e continuei com os preparativos. O meu pai veio ao nosso encontro na varanda com um frasco de bálsamo a reclamar de dores na perna. A minha mãe tentou abrir o bálsamo mas não conseguiu e mo entregou. Eu abri o frasco e a minha mãe foi aplicar o bálsamo na perna do meu pai. E em seguida, desci para organizar mais algumas coisas.  Esta foi a última vez que estive com o meu pai ainda em vida.

Quando voltei a subir a minha mãe contou que ele não quis jantar. Tomou um chá e foi para cama mais cedo. Na manhã de sexta-feira o meu pai acordou melhor, despediu-se da minha mãe e foi para o hospital fazer a sua sessão de hemodiálise. Enquanto isso em casa eu estava nos preparativos para o jantar de aniversário da minha mãe. Eu estava a todo gás, entre preparar as flores, por a mesa de jantar e cozinhar…

Um dos momentos mais difíceis e mais irreais da minha vida veio pouco depois das 20:00  em meio a gritos e choros, sem entender o que estava a acontecer a minha volta, recebi o telefone que a minha irmã tinha acabado de atirar para cima da mesa da sala de jantar e ouvi a minha mãe dizer que o meu pai tinha acabado de falecer. Nunca em um milhão de anos eu achei que aquele dia iria chegar e que eu receberia aquela notícia. Não naquele dia, não da forma que foi, não no dia do aniversário da minha mãe. Não quando estávamos todos preparados para ter um lindo jantar para celebrar mais um ano de vida cá em casa. Não com o meu pai. O meu pai não! Não! Não! Não!

E foram gritos e  mais gritos. Saí descontrolada  para o quintal, a contestar, em choque, completamente desesperada, como se me tivessem retirado o chão.
Meu Pai e a minha mãe sempre foram o meu porto seguro, minha força e aquilo que me dava a certeza de que o mundo fazia sentido.
Tão irreal tudo aquilo foi para mim que eu e minha irmã mais velha saímos de casa e fomos até o hospital ao encontro da minha mãe ver com os nossos próprios olhos aquilo que certamente tinha que ser mentira. Só podia ser Algum tipo de engano.
Postas lá, já no corredor da unidade de cuidados intensivos da Clínica Girassol, eu vi a minha mãe e as minhas tias de longe e ainda assim não podia acreditar.
Não era verdade. Eu não estava a viver aquela situação!
Corri ao encontro delas e assim que me aproximei da porta fui directo para o chão. Chorei, falei, reclamei, contestei, pois até hoje, assim como naquele momento, aquilo não fazia sentido. Como é que alguém que sai de casa a andar e que passa horas sobre os cuidados de uma equipe médica morre do jeito que ele morreu. E mesmo hoje, passados mais de 30 dias, enquanto escrevo sobre aquela noite de sexta-feira, dia vinte de Outubro. Eu sei, mas continuo sem acreditar que nunca mais vou ver, ouvir ou estar com o meu pai.

Para quem esta de fora pode parecer mais uma morte, afinal de contas ele estava doente, ele já tinha 72 anos! Muitos me disseram: Ele estava a sofrer muito. Nós também já devíamos esperar por isso. Ele foi descansar, e isso e aquilo. Mas para as pessoas que conheciam a sua paixão pela vida, das nove vidas de um Gato, para quem sabia que o Gato não falava sobre a morte porque para ele a morte era inconcebível. Por isso e para aqueles que não sabem de tudo isso, deixem-me contar um pouco de quem foi o meu pai, como foi a nossa relação e porquê o meu mundo caiu.

IMG_3933
UCT Cape Town 2005

Eu sou e sempre fui muito amada e 98% do amor que eu recebi até hoje foi dentro da minha casa, dos meus pais e dos meus irmãos. Amor incondicional, verdadeiro. Aquele que conforta, ensina, incentiva mas que também disciplina e sabe impor limites.

Quando eu nasci a minha mãe escolheu para mim o nome da minha avó paterna. Quer dizer que desde que nasci fui literalmente marcada para ter um relacionamento bem especial com o meu pai. Eu era a filha com o nome da mãe. A Mamã! Eu sempre fui mimosa e mimada. Especialmente pelo meu pai. Ele nunca levantou a mão nem para me dar uma simples palmada ou puxão de orelhas. Muito pelo contrario, era mais fácil ele culpar os meus irmãos por algo que eu tivesse feito do que acreditar que a Marcela havia feito algo que ele não aprovasse. Eu era aquela que adoecia sempre que o meu pai se ausentava para viagens de trabalho (o que era muito frequente) por isso não preciso dizer que o meu estado normal era febril e adoentada.
Não sou a primeira filha nem a mais nova. Mas eu tenho muito orgulho em dizer que eu sou a terceira filha. E pelos oito primeiros anos da minha vida tive o privilegio de ser a  filha mais nova.
Eu sempre fui “a cara do meu pai”. A filha do Gato. Com a personalidade da mãe e a cara do pai. E sim eu sempre aparentei ter muito da personalidade da minha mãe e muitas das feições do meu pai. Mas quem me conhece bem sabe que eu tenho muito mais do que a cara do meu pai. Eu também herdei vários traços da sua personalidade. Não só a cara do pai, Eu sempre fui muito filha do meu pai e com muito orgulho. Tal como o meu pai eu sou muito ligada à família,  sou carente como ele e ambos gostamos de mostrar o nosso amor cuidando das pessoas que amamos. Como ele, eu sou exigente, ambos temos o defeito de acumular os documentos e temos tudo registrado e guardado em vários lugares, teimosa como o pai e aos olhos de alguns, com a mesma personalidade difícil (cabeça dura) do pai.

Em casa ele nunca foi papá, nem tinha nenhum outro nome de casa. Ele foi sempre, Gato, Pai, Tio Gato, Chefe. Não por falta de carinho, mas sim porque o seu amor sempre foi firme e directo. Um homem generoso, mas exigente. A minha irmã Bendita que o diga, tantas foram as vezes que os dois bateram de frente e ao mesmo tempo tal foi o carinho e o amor que um tinha pelo outro.  O meu pai foi alguém que sempre se preocupou em realizar seus sonhos e seus objectivos. Foi isso que eu recebi. Honrar pai e mãe e respeitar os mais velhos e as tradições. Mas nunca de forma cega.  Pedir desculpa até dos filhos sempre que fosse necessário e reconhecer que todos podemos errar. Nunca deixar de correr atrás dos nossos sonhos, e nunca, não importa quanto custar nem o tempo que levar, deixar os nossos sonhos e os nossos objectivos de lado por causa dos outros.

Eu tive perto dos meus pais por por toda a minha vida, Eu estava sempre a viajar com eles quando era mais nova, eu andava para frente e para trás na barra da saia da minha mãe e atrás da farda do meu pai. Eu estive sempre perto, sempre junto dos pais e isso me permitiu desde cedo perceber a magnitude do meu pai. Não apenas no trabalho. Eu sempre soube que o meu pai era uma pessoa e uma figura importante. Um verdadeiro comandante, guerreiro incansável, um sobrevivente, um homem de coragem e de valor mas que nem por isso deixou de ser humilde de falar com as pessoas de receber fosse quem fosse. E assim como sei dos seus grandes feitos e das suas proezas que foram muitas, também sei das injustiças que ele sofreu, das faltas de consideração, das dificuldades que ele muitas vezes ignorava porque ele sempre preferiu olhar para frente e cuidar dos seus projectos.

IMG_3884
Geração 80 Projecto Trilhos

O meu pai foi um soldado, um comandante, um general de quatro estrelas. Saiu da casa dos seus pais na adolescência para lutar pelo que ele achava certo, para ganhar a sua independência mas também por uma causa maior. Ele fez muito pelo seu país e qualquer pessoa que se importe um pouco com a historia deste país vai ouvir dos mais velhos e encontrar  nos registros da historia deste país o nome de Ciel da Conceição Cristóvão (Gato) entre os nomes dos verdadeiros heróis da nossa pátria. Foi Vice Ministro da defesa e dos antigos combatentes e veteranos de guerra, foi Director do Porto de Luanda, Homem de negócios e homem do Campo (entre vários outros cargos e ocupações).

General do Exercito das Forças Armadas Angolanas (FAA)

Desempenhou funções de destaque, tanto na direção do aparelho central do MPLA onde foi membro do Comité Central, como nas Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA).

Exerceu as funções de Comandante da Força Aérea – Defesa Anti- Aéria,

Comandante da Força Norte

Vice Ministro da Defesa para o Armamento e  Defesa Química

Vice Ministro da Defesa dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria

Foi integrante do primeiro destacamento guerrilheiro que determinou a criação, em 1962 do Exercito Popular de Libertação de Angola (EPLA) embrião das FAPLA.   (Fonte: Jornal de Angola. Luanda, 23 de Outubro de 2017 pagina. 3)

O que eu mais lembro é que o meu pai sempre deu o seu melhor, nunca desistiu, nunca parou de trabalhar. Ele tinha um entusiasmo e uma paixão pelos seus projectos e pelo crescimento e desenvolvimento do seu país que eu raramente vejo em outras pessoas. Talvez hoje eu comece a reconhecer isso na minha irmã mais velha, (a Ginga) que herdou essa característica, ela tem as mesmas paixões que o pai e vai a atrás para por em prática não só os seus sonhos, hoje mais do que nunca,  mas os sonhos do nosso pai.

O meu pai foi um homem que sempre honrou as suas promessas, mesmo que demorasse, mesmo que levasse meses ou anos. Ele não se esquecia das suas promessas. Eu olho para os meus dois irmãos e vejo que eles herdaram a disciplina do nosso pai. Vejo no meu irmão mais velho, o seu xará o compromisso, amor e dedicação com a família, um grande respeito e curiosidade pelo Exercito, pela vida e pela Hierarquia Militar, a disciplina, a rectidão no trabalho, fazer o que é certo e seguir os protocolos. Já no meu irmão mais novo (o Claudio), eu vejo o  senso de organização com as suas coisas e, tal como o pai quando quer alguma coisa não desiste até conseguir.

IMG_2608

Mesmo sendo um militar, o meu pai sempre foi uma pessoa que nos fazia rir, até nos momentos mais tensos. Desde a minha tenra infância eu lembro que o meu pai gostava de fazer praia com a família e os amigos. Sempre foi fascinado pela tecnologia; desde as suas várias câmeras fotográficas (ele adorava a fotografia, adorava tirar fotos), câmeras de filmar, teve quase todos os tipos e modelos de telefones celulares mesmo que as vezes tivesse dificuldades para entender como funcionavam. A música era uma constante em nossa casa. Ele gostava de ouvir música alta e nós os filhos, também éramos obrigados a ouvir as suas músicas. Quando éramos pequenos ele instalou nos nossos quartos, na sala, por  todos os cômodos da casa colunas e assim sempre que ele quisesse ouvir música nós também tínhamos que ouvir. E Ele não só gostava de ouvir mas também gostava de dançar, de cantar, de partilhar, de ter as pessoas a sua volta. Com ele eu descobri desde a música sacra, Brel, Aznavour, Piaf, Nat King Cole, Brenda Fassi, Ringo, Hugh Massekela até Martinho da Vila e vários outros.

IMG_6149
Casamento de Ana & Ciel 1978

O grande Amor da sua Vida …
A minha mãe foi o grande amor da vida do meu pai. Foi amor a primeira vista. Ele viu a minha mãe e como se diz na gíria; correu atrás. Eles casaram e juntos criaram os seus cinco filhos. Eu tenho a certeza que ele estava longe de ser santo muito menos o homem ou marido perfeito. Mas ele foi sempre presente, foi constante, sempre foi atrás daquilo que queria. Não arranjava desculpas nem pretextos. Sempre interessado pelos assuntos dos filhos e da mulher, durante toda a minha vida se não estivesse fora (a trabalhar) o meu pai até nos anos mais corridos da sua vida, sempre fez questão de sentar a mesa para comer com a família. Sempre! Ele cuidou dos filhos, assumia as suas responsabilidades, tomava a rédea das coisas. Ele sempre foi um homem de acção, sem papas da língua. Este ano fez  39 anos de casado com aquela que foi a mãe dos seus filhos, sua enfermeira incansável, amante, amada, amiga e companheira.

IMG_4199

IMG_4188

Eu tenho a historia e o relacionamento dos meus pais e a forma como o meu pai sempre se conduziu, como exemplo. Não como um exemplo de perfeição porque ele estava longe de o ser, mas como o padrão que infelizmente esta cada vez mais raro de se encontrar nos homens nos dias de hoje. Eu nunca olhei para o relacionamento dos meus pais e nem para o casamento deles como um mar de rosas e muito menos como um conto romântico. Mas eu sempre olhei com respeito, admiração e até com um certo encanto. Por mais chateados que um estivesse com o outro um nunca deixava de se preocupar com o outro, de cumprimentar o outro. Eles conversavam, davam gargalhadas juntos. Um realmente fazia companhia para o outro. O meu pai dizia abertamente para nós, os seus filhos que a minha mãe era a mulher da sua vida. E até o último dia a Dona Ana como ele carinhosamente a chamava foi o único, o grande e verdadeiro amor da sua vida.

Uma das expressões que ele tinha que eu adorava era: Põe-te direito!
Ele não tinha papas na língua e muitas vezes era até directo de mais com as pessoas.

Eu já sinto saudades...

Do olhar do meu pai; de todas as suas chatices, dos seus telefonemas no final do dia para saber se já tinha chegado a casa. Sinto saudades de como aos sábados quando saísse para trabalhar ele ligava para pedir que eu fizesse uma sobremesa para o almoço. E de como  ele me telefonava praticamente todos os domingos só para uma chatice qualquer. Eu sinto saudades do sorriso e das covinhas do meu pai. De ouvi-lo fazer dos seus projectos; Do nosso ritual todas os dias sempre que eu chegasse a casa, Eu o cumprimentava, ele perguntava como tinha corrido o meu dia, eu dizia que tinha sido mais ou menos e ele inclinava a sua cabeça para o lado e sorria para mim. Eu sinto saudades da forma como ele ficava a observar as nossas discussões à mesa. Ele apoiava o queixo na sua mão  esquerda e ficava a admirar os filhos que ele colocou no mundo, criou, educou a serem eles mesmos. Cada um defender os seus argumentos (o meu pai adorava ficar a observar essas nossas discussões à mesa).

Eu sinto saudades do meu pai, da sua presença, de saber que ele estava ali sentado ou deitado no cadeirão da sala, que tinha apenas ido a clínica fazer a sua seção de hemodiálises. Eu sinto saudades do seu chamado, da voz do meu pai a chamar o meu nome de uma forma, e com uma intonação que só ele tinha. E só de pensar que nunca mais ninguém me vai chamar de Marci (Ele esticava o “i” no final) da forma como só ele o fazia. Porque ele era a única pessoa no mundo inteiro que me chamava de Marci com aquele carinho, com aquele mimo. Todos nós tínhamos o hábito de contar as coisas ao meu pai. De pedir conselhos, de pedir ajuda, contar as novidades. E ele fazia o mesmo sempre que voltasse de uma reunião contava as coisas. Dava um docier para cada filho. E agora não temos mais isso.

IMG_6169
Ministerio da Defesa Nacional Revista Pátria Novembro 2017 N.31

A hora do Adeus…
Na quarta-feira, dia 25 de Outubro, foi o dia do funeral. Foi puxado. Foi duro. Mas foi também um dia muito bonito. Foi puxado porque como manda a tradição não consegui dormir nem descansar entre o velório e o programa formal e longo que tínhamos que seguir para um enterro de um Oficial Militar e Antigo membro do Governo. Foi duro porque aquele foi o dia da despedida simbólica do corpo fisico do meu pai. Junto com o meu irmão mais velho, acompanhei o meu irmão mais novo para ver e se despedir do meu pai pela última vez. Ah que dor ver o meu pai ali com os olhos fechados, sabendo que nunca mais iria vê-lo, tocar, nem falar com ele. Ve-lo ali trazia aquela realidade crua. Uma dor que corta cada vez que lembro. Olhar para o meu pai no caixão, não tem nada mais difícil, mais dilacerante para o coração de quem ama. Saber que o seu corpo estava ali dentro daquele caixão, ver ele voltar para a casa aonde ele viveu e criou os seus filhos por mais de 40 anos e saber que desta vez ele estava ali para se despedir. Depois ver o caixão descer para a cova. Oh! Como todos estes rituais ainda que necessários são cruéis.

IMG_6161

fullsizeoutput_2cce

Foi bonito porque o meu pai fez tanto por esse país, sacrificou tanto por este país e no final ele recebeu as honras, o reconhecimento e as homenagens que a muito lhe eram devidas. Desde o primeiro momento recebemos o apoio das Forças Armadas Nacionais. A última cerimonia, o ritual da despedida foi bonito e foi digno do homem que ele foi. O cortejo fúnebre pelas ruas da cidade de Luanda, as honras militares antes e depois do enterro. Ver tantas e tantas dezenas de pessoas prestarem a sua homenagem final; Oficiais do Exercito, Marinha, Policia Civil e Militar, Força Aérea, Membros do Executivo, da  Sociedade Civil, parentes, amigos e conhecidos.

Por isso não posso deixar de partilhar o que algumas das figuras mais importantes deste país disseram sobre o Ciel da Conceição Cristóvão (Gato).

Começo por agradecer a mensagem de pêsames dirigida a nossa família pelo Presidente da Republica. A mensagem completa pode ser encontrada na edição de segunda-feira dia 23 de Outubro de corrente ano na pagina número 3 do Jornal de Angola. Igualmente importante foi a presença do Presidente da Republica e a mensagem escrita do seu próprio punho no livro de condolências no dia do funeral:

Angola acaba de perder um dos seus melhores filhos, um valoroso combatente pela liberdade e soberania do país , o comandante General de Exercito Ciel da Conceição Cristóvão “Gato”. Vergamo-nos perante sua memória, perante tão inesperado e nefasto acontecimento.  Neste momento de dor e recolhimento, endereçamos à família enlutada, esposa, filhos e netos os nossos mais sentidos sentimentos de pesar. Paz a sua Alma!     João Lourenço Presidente da Republica 25.10.2017

Ministro da Defesa Nacional Salviano Sequeira “Kianda”:

“É um exemplo a seguir pelas gerações vindouras.” Ele serviu de exemplo para muitos que hoje estão na direcção do ramo, das Forças Armadas e até em algumas esferas do país: “Do nosso lado devemos manter a nossa firmeza para honrarmos aquilo que o comandante Gato foi …”

Ministro dos Antigos Combatentes e veteranos da Pátria João Ernesto dos Santos “Liberdade”:

Destacou ” Sua qualidade solidária, persistente e optimista e disse ainda que “A sua vida foi um Autêntico arquivo do nacionalismo angolano.”

O Ministro destacou que  Ciel da conceição Cristóvão Gato foi “um excelente patriota, dedicado ao cumprimento das missões que lhe foram dadas. “Para quem o conheceu, sabe bem que o país perdeu um herói nacionalista e uma importante fonte de luta do povo angolano.”

O chefe do Estado-Maior General das FAA. General Sachipengo Nunda que lembrou  a dedicação nos cargos que ocupou e destaca-o como:

“Exemplo de bravura e patriotismo que as novas gerações de militares ou mesmo da população devem seguir.” Na generalidade  nem sempre fazemos as nossas memórias, mas aqueles que ficam têm o dever de escrever sobre aqueles que deram o seu contributo para que Angola fosse o que é hoje” afirmou  o general Sachipengo Nunda.  

                              (Fonte: Jornal de Angola 26 de Outubro de 2017 pagina. 2)

O luto… É algo que nos acompanha por toda uma vida. Desde o momento em que a notícia se confirma. Quando já não há mais dúvida. No momento em que tudo se confirma percebemos algo que todos aqueles que nunca passaram por isso nunca saberão, aquilo é para a vida toda.  No primeiro momento é o choque, a dificuldade de lidar com a perda repentina. Tudo parece não passar de uma piada de mal gosto. Mas ao voltar para casa  e ver que não é piada, logo nos é dito que temos que recolher os moveis, tapar os espelhos. Cobrimos os móveis, as fotografias e toda a nossa antiga alegria familar com panos e lençóis brancos. No nosso caso tudo aconteceu na noite do aniversario da minha mãe. A mesa estava posta linda e decorada com capricho para celebrar a vida, mal sabíamos nós que aquele dia ficaria marcado para sempre com dor e vazio. A nossa casa assim como as nossas vidas também passam pela transição. Tudo deixa de ser como era antes. O vazio é total.

O dia-a-dia e os rituais do óbito parecem ter sido programados para nos derrubar. Mal começamos a entender aquela realidade as pessoas começam a chegar. As mais próximas, os familiares, aquelas com quem lidamos diariamente. Todos vêm meio que perdidos, estupefactos com a notícia, muito sem acreditar, um por um chega para consolar a família e a cada um temos que passar pelo doloroso mas necessário ritual de contar e re-contar o acontecido e cada vez que contamos voltamos a reviver a historia. E a cada vez que é contada a dor de relembrar, a dor da saudade, a dor da realidade e com tudo isso vêm as dores de cabeça, mal estar, um cansaço constante por tudo e por nada.

Mal soubemos dos longos dias que estão por vir, nem de todos os momentos difíceis que ainda vamos ter que enfrentar. Gritos, choros, noites sem dormir. Reorganizar as coisas, mudar completamente a dinâmica da casa, compras, logística, documentos por tratar, mais arrumações. De repente como se não bastasse a dor, ainda temos que pensar em quem vai cozinhar, quem vai limpar a casa. Ficamos de pé até altas horas da madrugada e a rotina da casa começa com o nascer do sol.  Nos ajeitamos na sala, no chão, nos sofás com cânticos, choros e orações noite a dentro. Como quase não temos nem apetite nem tempo para comer. Comemos por turnos, e só quando da. Entre uma coisa e outra, entre uma tarefa e outra, enquanto recebemos essa ou aquela pessoa, um telefonema de alguém que esta distante, enquanto recebemos um amigo, um primo, um irmão que estava logo e chega em meio aos gritos, os choros, novas recordações, a saudade de alguém que embora mal tenha acabado de partir queremos que volte, ao lembrar  que da morte não se volta ficamos novamente desconcertados.

Em meio a tudo isso não tem lugar, tempo nem animo para vaidade, não tem lugar para preocupação com a aparecia. Tudo isso desaparece por completo existe apenas o rosto limpo e completamente despido de qualquer coisa. Ficam apenas as vestes escuras. Geralmente o preto dos pés a cabeça. Um rosto limpo aonde cabe apenas água, sabão e creme. Todo o nosso cansaço e toda a nossa dor exposta, nas manchas e nas cicatrizes, nos olhos inchados, nas olheiras,  para quem quiser ver. Esquecemos dos caprichos, das vaidades. De repente não temos mais nada para esconder, não existem mais contornos, nem corretivos. Existe apenas a dor que não nos deixa pensar em mais nada se não em todas as coisas praticas com as quais infelizmente temos que nos ocupar.

IMG_6116

O que vem depois e como seguir à diante…

Em meio à Tsunami que tomou conta das nossas vidas, Como ficam os nossos sentimentos e as nossas emoções ? Tudo fica a flor da pele. Logo no início, nos momentos de maior intimidade com aqueles que estão a viver a mesma dor que a nossa é quase impossível controlar os rompantes, os gritos, o choro e as lamentações. Depois, com o passar dos dias começamos a controlar melhor os nossos impulsos, disfarçamos melhor, começamos a ter rompantes nos nossos momentos privados longe tudo e de todos mas ao mesmo tempo ficamos com os nervos a flor da pele. Irrito-me mais facilmente, sou menos paciente, menos tolerante especialmente com a falta de sensibilidade das pessoas, principalmente quando percebo que o banal ainda tem tanta importância.

Os meus pais sempre tiveram muitos afilhados, mas o mais engraçado é que ao contrário das pessoas que acham ser padrinho uma chatice, o meu pai gostava. E dentro das suas possibilidades fazia tudo o que estava ao seu alcance pelos seus afilhados. Conversava com eles, aconselhava, tinha paciência para ouvir os seus problemas; ajudava fosse para conseguir um emprego, uma colocação, dava dinheiro. Ele estava sempre disponível. Foi Bom ver que o carinho que ele sempre teve pelos seus afilhados era reciproco. Ver que muitos dos seus afilhados se fizeram presentes durante o óbito, choraram, ajudaram, relembraram historias que viveram com o padrinho. Os que estavam longe ligaram, mandaram mensagens e partilharam conosco essa dor imensa.

Ao passar pelo que passamos, descobrimos mais sobre nós e sobre as pessoas que nos rodeiam. Estreitamos laços de amor e de amizade e percebemos que precisamos cortar coisas e pessoas das nossas vidas por nos e por elas também. Eu descobri que isso é kixikila. Que infelizmente todos vamos passar por isso e isso nos torna mais humildes. Reavaliamos as nossas atitudes e percebemos que quando não conseguimos estar com alguém de quem julgávamos ser próximos nos seus piores momentos, talvez não precisamos estar em nenhum outro momento.

Como é aprender a viver num mundo por onde o meu pai não mais vai andar? Como aprender a ser eu sem ter a presença do meu pai? Tudo mudou! As pessoas dizem: É um dia de cada vez. Na minha experiência não tem sido assim. Tem sido um momento de cada vez. Entre um choro, um desespero e um sorriso uma gargalhada e muita, muita saudade. Ainda não consigo dançar com entrega, ainda não consigo ter momentos de pura felicidade porque logo percebo que falta alguém. Parece que a minha felicidade deixou de ser completa sem ele.

Aos poucos todos voltam as suas vidas, parece que a vida volta ao normal, só que não! Algumas coisas parecem não fazer mais sentido, outras simplesmente deixam de ter a mínima importância. Quem nunca passou por isso quem nunca perdeu alguém tão próximo, tão amado, quem nunca teve seu mundo virado do avesso e sentiu na alma, não entende, não tem como, não tente nem queira imaginar.

Como não parar e reconhecer que tudo mudou. Como não parar para agradecer as minhas tias e aos meus tios que estiveram aí dia a noite para nos amparar e nos confortar. As que dormiram conosco no chão da sala, as que me ampararam e levantaram do chão do hospital quando eu achei que não ia mais conseguir levantar. Tias que atravessaram o oceano, deixaram os seus filhos e marido para estar com a minha mãe e conosco nos momentos mais difíceis.
As amigos e os primos que foram logo para perto de mim que me abraçaram forte que ouviram os meus gritos de espero. As primas deixaram seus filhos em casa com as babás, e com os pais a reclamarem, para me acompanharem para de alguma forma tentarem amenizar a minha dor.
As que perderam noites, dançaram e cataram comigo madrugada fora em volta do caixão com o corpo do meu pai. Ficaram comigo para velar o seu corpo, choraram, me abraçaram. Seguraram as minhas chaves, ajudaram a dar ordens, a organizar as coisas e por as pessoas nos seus devidos lugares.
As amigas que ficaram de guarda para que eu conseguisse dormir por alguns instantes que fosse. As que velaram o meu sono no carro ou nas cadeiras. As que estavam com água, deram um lenço, que levaram repelente para nos proteger dos mosquitos. A minha cunhada que estava connosco dia e noite incansável, que foi comprar flores, que andou para frente e para trás,  que ficou sem dormir e deu apoio em todos os momentos e partilhou da nossa dor como uma filha que era como o meu pai a tinha.
Como não agradecer e o que falar daquelas que mesmo longe ou que sempre que não podiam estar comigo ou com os meus irmãos não pararam de ligar nem de mandar mensagens para saber se precisávamos de alguma coisa para ajudar de alguma maneira. Mas tenho que agradecer a todos que fizerem muito e aos que fizeram o pouco que estava ao seu alcance fazer porque eu descobri que quando se passa por isso que estamos a passar um simples telefonema, a presença que alguém que conhecemos e até daqueles não conhecemos para nos dar um beijo, um olá tem um grande significado. Quem correu para o nosso lado sem pensar, quem ajudou e apoiou de facto. Quem se fez presente porque percebeu que um abraço forte que a sua companhia era valiosa. As tias que mesmo depois da missa de encerramento continuaram a telefonar, as amigas que ficaram por horas a fio ao telefono para dar  consolo, a nos distrair. As que mandavam e ainda mandam mensagens todos os dias. As que levaram comida mesmo depois do sétimo dia, ou simplesmente tiraram alguns momentos do seu tempo para estar connosco para conversar e fazer companhia muito obrigada.

Sinto que as pessoas têm a falsa percepção que a morte só acontece naquele momento.
Geralmente aparecemos assim que se confirma a morte para dar os pêsames sim, para prestar apoio  emocional ou financeiro, mas para alguns aquilo trata-se apenas de cuidar das aparências ou de cumprir com alguma obrigação ou formalidade.
Ajudar e apoiar para aparecer ou para parecer. Porém quem já passou e quem vive o luto sabe bem que as coisas não são bem assim. O nosso apoio tem que ser sincero. Aquelas pessoas  que depois do óbito não aparecem mais, ou  que depois dos primeiros instantes já não estão tão prontas para ajudar; ou pior as que depois retiram a ajuda e voltam a ser o que sempre foram. Passado algum tempo, a vida nos mostra a verdade das coisas. Muitos voltam a se comportar como sempre se comportaram.
A morte muito mais do que o nasce alguém, nos mostra de uma forma bem clara quem é quem nas nossas vidas. As pessoas que se importam conosco e as pessoas com quem realmente nos importamos. A morte coloca cada um no seu devido lugar. Ela ajuda a redefinir quem somos, o que valorizamos e porque.

Passa um semana passa um mês, dois três, sei lá e ninguém mais te quer ver a chorar. É constrangedor para eles. Eles não sabem o que fazer. E eu? E a minha dor. Será que eu sou suposta fingir que já esta tudo bem que a cada momento que da saudade que eu tenho vontade de contar algo, de partilhar, de estar com o meu pai. O que é que eu sou suposta fazer com a minha dor. Fingir que ela já não existe.
Para seguir a diante nós fizemos isso. Limpamos as lágrimas escondemos o choro. Choramos nos cantos, sozinhas às escondidas porque queremos dar força uns aos outros porque temos medo que se um desmoronar os outros vão desmoronar também. Mas e esta dor, essa saudade, essa vontade de estar junto e de não entender que a pessoa que deveria estar aí já não está?

Nós vamos ficar bem, a nossa vida vai continuar, vamos dançar, vamos sorrir porque foi assim que ele nos criou. Nós vamos dar continuidade ao seu legado, honrar o homem que ele foi a por em prática tudo aquilo que ele nos ensinou. A vida sem ele não é a mesma coisa. Ninguém pode ser o que ele foi, ninguém pode fazer por nós o que ele fez  e ninguém mais vai nos amar do jeito que ele nos amou. Mas nós temos uns aos outros e isso devemos a ele e por isso vamos continuar a honrar a sua memória e o seu legado de várias formas, em vários plataformas, dando continuidade as suas obras e mantendo a sua memória viva para que esta e as próximas gerações saibam quem ele foi e orgulhem-se como nós nos orgulhamos do homem, da figura, do herói  Ciel da Conceição Cristóvão (Gato).

“ Quer saber quanto custa uma saudade? Tenha amor, queira bem e viva ausente”
Disse o poeta… Saudade só se sente do que foi bom e principalmente de quem é (era) bom.
Quer saber quanto custa uma saudade? Tenha amor, queira bem e viva ausente…
A saudade de alguém que foi embora; de um amigo, de um amor, de um parente.
De alguém que não esta mais entre a gente.
Com o peito adoentado a alma chora, feito gripe que de noite só piora.
Uma dor maior que vinte dor de dente judiando até do cabra mais valente sem sentir pena, dó e nem piedade.
Quer saber quanto custa uma saudade? Tenha amor, queira bem e viva ausente…
Tanto amor no meu peito estocado esperando por você que já partiu tão depressa. Nem sequer se despediu.
Vez por outra eu me pergunto agoniada: se a saudade mora mesmo no passado por que é que ela vive tão presente?…
E hoje eu olho mais pra trás do que pra frente, pra lembrar que já senti felicidade.
Quer saber quanto custa uma saudade? Tenha amor, queira bem e viva ausente…
Então nesta hora ( Pai ) Na despedida, me permita lhe citar em poesia um Comandante, General, um sonhador incessante e outros tantas feitos que deu vida, deixo aqui a minha arte estendida para o homem, marido, pai presente para um exemplo de caracter e honestidade.
Quer saber quanto custa uma saudade? Tenha amor, queira bem e viva ausente….
E é tão grande, é tão grande essa nossa agonia mas é menor do que a ternura em seu olhar.
Do que seu jeito sereno de falar e explosivo quando a ocasião lhe pedia … e, ainda assim,
Quer saber quanto custa uma saudade? Tenha amor, queira bem e viva ausente…

Poema de Braúlio Bessa (com algumas alterações por Marcela de Aguiar Cristóvão)

IMG_3887
     Ciel da Conceição Cristóvão (Gato) 08.12.1944 – 20.10.2017

7 Comments Add yours

  1. Niria diz:

    Não sei se “lindo” é a palavra correcta mas fiquei muito emocionada com tudo que escreveste e com um pouco de inveja (perdi o meu pai com 9 anos), um beijão, cuida-te.

    Liked by 1 person

    1. marceladeaguiar diz:

      Niria minha querida, muito obrigada. E os meus sentimentos pela perda do teu pai.
      Eu já nem sei mais o que dizer. Hoje o meu pai faria 73 anos e decidi que só vou pensar nas coisas boas.

      Gostar

  2. Claudia diz:

    Não me lembro se conheci o teu pai alguma vez mas tenho em mente o nome “Gato” desde a minha infância … escreves tão bem, que toca a alma!!! Já te disse e repito, és muito corajosa… não sei se teria está coragem de escrever de alguém que amo muito e já não posso ver… um beijinho no teu coração !

    Liked by 1 person

    1. marceladeaguiar diz:

      Obrigada Cláudia,
      Sim, realmente não foi fácil escrever tão detalhadamente sobre algo tão íntimo mas quanto mais pensava a respeito mais claro ficava que tinha que ser assim. Claro que deixei algumas coisas de fora mas por agora acho que foi o suficiente. Como disse no artigo o nosso plano é manter vivo e dar continuidade ao legado que ele deixou.
      Beijos e mais uma vez muito obrigada por todo teu apoio.

      Gostar

  3. Nini Leonel diz:

    Marcela querida,
    Mais uma vez e bastante emocionada fiz uma retrospectiva da minha vivência com o tio Gato, com toda a família, recordações que foram algumas espelhadas na tua excelente e comovente narrativa.
    O tio Gato, “ Gatinho de luxo” como os meus pais o tratavam foi de facto essa pessoa excepcional e querida por todos nós.
    Não há palavras e ações que possamos ter que. irão sanar a dor que sentem neste momento, mas a própria saudade saberá dar lugar a aceitação e ao aprendizado de te-lo e não vê-lo , de senti-lo e não toca-lo , de conviver e manter essa memória viva.

    Que alma do tio Gato esteja em paz e que os seus feitos e ensinamentos estejão vivos nas nossas memórias.

    😘😘
    Nini Leonel

    Liked by 1 person

    1. marceladeaguiar diz:

      Tia Nini,
      Mais uma vez muito obrigada pelo carinho e por toda a atenção nestes momentos tão difíceis. É muito bom saber que o pai deixou memórias boas nas vidas de tantas pessoas.
      Concordo com a tia. Ele era mesmo o “Gatinho de Luxo” por isso mesmo é que acho importante que as pessoas saibam nem que seja um pouquinho do grande homem que ele foi.
      Beijos e mais uma vez obrigada tia.

      Gostar

  4. Katiana diz:

    Linda
    Nao quero diminuir a tua dor nem a da tua familia mais sei bem o que vcs estão a passar infelizmente a tua dor é a dor de muitos, de certeza que ao ler as tuas palavras muitos ficaram comovidos e se virm na mesma situação (como eu).
    Sinto saudades do meu pai até hoje e ele tbem foi um herói para muitos como o teu pelo facto de ser bom pai bom amigo bom marido bom no que fazia (meu foi o chefe do estado maior da frente sul) …mais estamos a falar de ti so para realsar o que dcst foste bem educada tens grandes valores…., entao linda cuida bem dos que estão cntigo os aproveita bastante e contínua a fazer tudo do geito que fazes valorizando sempre todos a tua volta e o teu pai . Tens muita responsabilidade por ser mãe avó kkk.
    Tudo de bom para ti e a tua família muita coragem

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s