Sónia de Carvalho Conta em uma conversa franca como foi passar por um Câncer de Mama & Tudo Sobre os seus Cuidados e Segredos de Beleza

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Câncer de Mama

“Qualquer caroço na mama de uma mulher, até ser provado o contrário, deve ser visto como um câncer!”

É muito difícil falar sobre câncer da Mama. Mas tem se tornado cada vez mais necessário falar sobre esse assunto porque já que se trata de uma doença silenciosa, que sejamos nós os barulhentos, que façamos nós confusão, falemos sobre isso incessantemente até se tornar algo comum. Até erradicar essa doença por completo.

Existem dois instantes em que ninguém parecer querer falar sobre o câncer da mama: Quando alguém que conhecemos é diagnosticado com a doença; não resiste e morre e quando alguém que conhecemos é diagnosticada com a doença, faz o tratamento, consegue se recuperar e viver saudável por longos anos.

O que eu quero dizer com isso é que seja qual for a ocasião ou resultado nós não falamos, não fizemos alertas, não discutimos mais sobre o assunto, não nos informamos; em outras palavras câncer é um assunto que costumamos varrer para debaixo do tapete até o momento em que ele ressurge nas nossas vidas.

A verdade é que o câncer é uma doença que afecta cada vez mais pessoas e infelizmente o número de pessoas que sofre com esta doença só parece aumentar. Câncer bom é aquele que não existe. Mas o câncer da mama tem a particularidade de afectar maioritariamente as mulheres e até hoje muitos mais casos que gostaríamos não têm um final feliz.

Faz muito tempo que eu quero falar sobre esse assunto porque sinto que ainda não falamos o suficiente e porque nós precisamos estar mais informadas sobre o câncer da mama, os seus sintomas e sinais de alerta. E foi a pensar nisso que em Setembro do ano em curso, sentada em frente a Sónia eu olhei para ela e perguntei se ela se importava de falar sobre como foi passar por um tratamento para combater o câncer da mama. Na  hora ela disse que que não. Que teria muito gosto em falar sobre esse assunto e contar a sua historia.

Cerca de uma semana depois da nossa primeira conversa, voltamos a estar juntas, desta vez para a nossa conversa. A Sónia contou que aos 35 anos (a praticamente oito 8 anos atrás) com um filho pequeno, com menos de dois anos de vida, o filho ainda mamava peito; ela sentiu um caroço na mama e mesmo com o passar dos dias o caroço não desaparecia. Ela dava o peito para o filho e durante algum tempo chegou a achar que eram apenas os seus  peitos que estavam cheios de leite. Mas o caroço não desaparecia.  Ela falou com o marido e como o caroço não desaparecia, decidiu procurar um médico para saber do que se tratava.

Procurou o médico, fez os exames mas um por um, todos os médicos que a consultaram cá em Luanda disseram que ela não precisava se preocupar porque não era nada sério.

“Ouve uma Médica que disse que as mulheres quando estão a amamentar não fazem mamografia, outra disse que se fosse câncer da mama teria outros sintomas como a pele como casca de laranja, deitar um liquido castanho pelo mamilo, em fim… O tempo estava a passar (isto foi em Junho) mas ela continuava insatisfeita com as respostas que recebia dos médicos.

“Um dos médicos disso que aquilo era uma inflamação, deu-me um antibiótico, mandou por gelo no local e pediu para voltar lá passado uma semana. Eu fiz tudo isso e passado uma semana o caroço continuava ali, mas o médico disse para eu não me preocupar porque aquilo era uma coisa benigna, que ele podia até tirar-me aquilo com uma cirurgia local e faria uma cicatriz como se fosse cirurgia plástica, mas para eu não me preocupar.

Mas eu perguntei como é que eu poderia ter certeza absoluta que aquilo era benigno? Ele disse-me que eu tinha que fazer uma biopsia e sugeriu que eu fosse ao instituto de oncologia aqui em Luanda falar com uma médica cubana que ele me iria indicar. Eu marquei o bloco na Cligest aonde ele tinha tudo marcado para retirar o caroço. Mas entretanto eu decidi que não queria fazer isso aqui. Eu tinha muitas dúvidas.”

Deixou passar um mês. Dizia ao seu marido que o caroço ainda estava ali e não desaparecia e ele  respondia dizendo que não se preocupasse que já tinha sido vista por três médicos. Nisto já estava em Agosto e o caroço não desaparecia.  Entretanto tinha feito a primeira ecografia e mamografia na ENDIAMA mas não aparecia em lado nenhum e decidiu fazer novamente os exames e desta vez já teve um relatório.

Como continuava a ter muitas duvidas resolveu ir a um médico que é o Doutor Jaime de Abreu um médico cirurgião que já está reformado, um médico que sempre tinha ouvido dizer que ele era muito bom e tinha muito boas mãos para diagnosticar. “Depois de me ver ele perguntou se eu já tinha saído de ferias e se podia pedir para me ausentar do trabalho. Ele disse que podia fazer a biopsia mas que se fosse algo mais sério e  precisasse fazer quimioterapia ou radioterapia aqui não teríamos como fazer a radioterapia. Este dia foi horrível, eu saí de lá a tremer.”

Ela conta que quando ele disse aquilo e sugeriu que fizesse a biopsia fora do país viu que poderia ser algo mais grave. Ficou com receio. Começou a preparar as coisas, Foi para Portugal, para Coimbra para um hospital universitário e lá foi vista por uma médica ginecologista oncológica que mandou fazer uma biopsia ao caroço e uma biopsia aos gânglios linfáticos. Mas antes de ir a esta médica foi a um outro médico logo no dia depois de ter chegado à Portugal que fez o exame físico, e logo no exame físico ele disse que tinha uma lesão muito sugestiva de ser uma lesão cancerígena.

“Eu disse: Tenho cancro? Vou morrer? E Ele disse não. Se não se tratar vai, mas se se tratar não. E foi com este médico que fiz a primeira biopsia.”

Com a outra médica que viu depois, fez os outros exames. Fez a biopsia aos ganglulos, e depois fez uma pet. Depois de ter o diagnostico de que era efectivamente um carcinoma, teve o plano de tratamento. Começou por fazer quimioterapia: Oito secções e depois a cirurgia. Por ter um gânglio positivo na axila, que se chama: Doença Legalmente Avançada. Fez a quimioterapia antes da cirurgia com o objectivo especifico de reduzir o tamanho do tumor para depois ser mais fácil de extrair na cirurgia e tentar eliminar os gânglios positivos da axila. O que aconteceu. Os gânglios ficaram logo negativos e conseguiu fazer a cirurgia ao fim de seis meses.

A cirurgia que lhe foi recomendada foi uma Mastectomia Radical com conservação da pele. Tiraram o miolo da mama e o mamilo e deixaram a pele. E na mesma cirurgia fez a reconstrução da mama com o músculo e pele das costas.

Para dar continuidade ao tratamento fez a quimioterapia, cada seção de 21 em 21 dias. Mas isto foi em 2009, naquela altura o protocolo para o seu caso era aquele. Hoje pode ser que tenha mudado. Mas o que sabe é que a quimioterapia foi para reduzir mais o tumor. Quanto mais pequeno for o tumor mais segura pode ser a cirurgia.

Como foi a experiencia com a quimioterapia e a recuperação?

Não fez radioterapia por ter feito este tipo de cirurgia. Pela quimioterapia passou bem, o mais difícil durante esse processo foi o emocional e psicológico. Aquela dúvida de será que vou morrer? Será que vou sobreviver? Essa foi a parte mais difícil. Ainda chegou a ir a umas duas seções com uma psicóloga mas depois deixou de ir, porque aquilo que queria saber era se ia morrer agora e se não naquele momento, quantos anos mais teria de vida? Porque o cancro da mama tem esta característica ao contrario dos outros. Ele pode metastisar anos depois mesmo depois de estar curada daquele cancro em especifico.

Naquela altura, tinha a certeza que daquele tumor ia ficar curada. Depois de ver e falar com os médicos, não tinha duvidas mas o medo era saber se depois aquilo o câncer ia voltar e caso voltasse, quando?

“Quantos anos mais vou viver, será que se voltar vou sobreviver? Quantos anos é que o meu filho vai ter comigo? Será que já vai ser adulto e já vai estar bem e encaminhado na sua vida? Uma mãe faz sempre falta mas na fase de crescimento e desenvolvimento mais ainda.”

Estas eram as suas duvidas e isso foi o mais difícil para ela durante todo o processo.

“Eu fiz dois tipos de medicação para a quimioterapia. Na primeira medicação eu sentia espasmos musculares e depois percebi que se eu fizesse repouso (mesmo) logo a seguir as seções de quimioterapia eu não tinha estes espasmos musculares. Depois da minha primeira seção de quimioterapia, eu fui fazer a minha vida normal. Pegava o meu filho ao colo, fazia a minha vida normal. Não tinha enjoos, não  tinha nada. Mas passados quatro ou cinco dias eu comecei a sentir os espasmos musculares e aí eu percebi quando as enfermeiras me diziam que depois das seções de quimioterapia era para descansar. Elas até diziam: “Não é altura para estar a fazer limpezas a casa, para não fazer muita coisa. Fique calma, fique tranquila.” Aí eu percebi o que elas queriam dizer e passei a fazer repouso. Quanto ao segundo tipo de medicamentos, esses deram sim algum enjoo porque eu tomei mal das primeiras vezes mas depois passei bem. Não sei se pela evolução da ciência os medicamentos mudaram. Passei bem!

A perda dos pelos e do cabelo…

O cabelo e os pelos começaram a cair logo. Duas semanas após fazer a primeira seção de quimioterapia. Ela contou que não são só os pelos da cabeça que caem. Caem os pelos do corpo inteiro. Visto que teve que esperar um intervalo de 21 dias entre uma seção e outra. Logo no início soube que não queria esperar até o cabelo todo cair. Optou por não usar lenço. Preferiu usar peruca. Nem esperou que o cabelo caísse todo.  Foi ao instituto do cabelo no Porto e encomendou uma peruca sobre medida, Uma peruca colada. Nunca se viu careca.

Sempre que fosse ao instituto para lavar a peruca eles tapavam o espelho e assim não se via careca nunca. Tirou a peruca dois meses depois de fazer a última seção de quimioterapia. Depois, quando o cabelo começou a crescer, já não podia usar uma peruca de cola. Trocou por outro tipo de peruca e passou mais um mês a usar esta outra peruca. Mas durante todo este processo, ela conta que pintava sempre os lábios de vermelho.

Quando finalmente tirou a peruca sentiu-se bem, claro que usava sempre o batom vermelho, mas conta que para o seu espanto gostou de ver-se com o cabelo curto. Mas uma das coisas que a surpreendeu foi a perda das pestanas. As pestanas abrem o olhar das pessoas e ela percebeu isto quando as suas pestanas caíram. Assim que percebeu isso passou a por uma sombra castanha nos olhos para abrir um pouco o olhar.

O papel da familia em meio a isto tudo?

A minha familia foi incrível. Eu fiquei nove meses com o meu filho em Coimbra. O meu filho foi para a creche pela primeira vez neste período. Eu tive uma tia, irmã do meu pai, que se mudou da casa dela para estar comigo. Ela saiu de Lisboa e foi para Coimbra para cuidar de nós.

A minha grande força emocional foi o Luzolo, foi o meu marido. Que estando a trabalhar em Luanda ia a cada mês e meio para passar duas semanas e estar connosco lá. Ele não esteve ali todos os dias mas dado o facto de que ele tinha que manter o seu trabalho cá em Luanda eu considero que foi bom. Os meus pais também estavam aqui, estavam a trabalhar e iam par lá varias vezes para passar um tempo comigo.

Claro que para a minha família foi um choque quando eu fui diagnosticada. Nós não temos antecedentes de cancro da mama na família e eu tinha 35 anos, então toda a família ficou muito chocada. No início foi difícil. Mas apesar do meu diagnostico ter sido retardado dois meses por causa de todos os médicos que eu vi eu ainda fui diagnosticada consideravelmente cedo e consegui ser curada.”

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Em termos monetarios como foi custear a doença fora do país?

A Sónia contou que tem dupla nacionalidade e por isso foi tratada num hospital público e desta forma não teve custos nem com a cirurgia, com o tratamento, nem com a terapia hormonal que fez logo a seguir. A terapia alias que ela faz até hoje. Não teve custos com o tratamento em si. Os seus pais têm casa em Coimbra e por isso também não teve custos nesse sentido.

A empresa aonde trabalhava na altura ainda pagava o seu salário ca em Luanda e com o seu salário e o salário do marido, numa altura em que ainda não tínhamos as dificuldades das transferências ajudou bastante. “Tínhamos apenas os custos da comida, do transporte e despesas diárias. Mas sei sim que no privado as coisas são caras sei que na altura a seção de radioterapia podia ficar por 100 Euros e uma seção de quimioterapia rondava entre 800 à 1000 euros sem contar com o internamento, os medicamentos, médicos, a cirurgia e todo o resto. Depois da cirurgia ficou internada por uma semana especialmente por conta da cirurgia de reconstrução da mama que foi feita com o músculo das costas.”

Como ficou a reconstrução da sua mama?

A sua mama tem cicatrizes tanto no lugar de onde foi retirado o mamilo como no lugar aonde foi retirado o tumor e ficou com a cicatriz nas costas.

“O meu mamilo ficou diferente. A mama não ficou igual porque ela tinha 400 gramas e o músculo que retirei tinha trezentas e poucas gramas. Mas nada que com o sutiã não se possa disfarçar.”

Pediu a médica para fazer a reconstrução logo a seguir a cirurgia para retirar o tumor e escolheu fazer a reconstrução com o músculo das costas porque até fazer a cirurgia não sabia se teria que fazer radioterapia ou não e se tivesse que fazer a radioterapia, já tinha sido informada que a radioterapia endurece o silicone o que quer dizer que depois teria que fazer uma nova cirurgia de reconstrução.

Quando é que sentou que as duvidas e os medos acalmaram?

“Essa dúvida nunca passou. Nunca passa. O que acho é que com o passar do tempo, os primeiros dois e depois cinco anos. A medida que começas a fazer as consultas anuais aprendes a viver com isso. Pensas nisso um dia sim e outro não. Aprendes a viver com isso.”

Depois do que passou o que os médicos dizem é que temos que estar atentas aos sinais. Ao seu corpo, ao peso. Se sentirmos um cansaço fora do normal. Fazer sempre os exames de rotina. O cancro é realmente uma doença silenciosa porque quando já temos alguma dor quer dizer que já pode estar avançado.

“O médico em Portugal disse para viver a minha vida normal. Já o meu médico em Espanha disse-me para fazer exercícios, para não comer nem soja, nem papaia, nem toranja enquanto tomo um dos medicamento diários que me foi receitado. Não se pode tomar qualquer coisa mesmo as que sejam naturais, pois elas podem interferir com a medicação ou com o seu organismo de alguma forma.”

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…& depois como ficou o Trabalho|A Carreira e a Maternidade:

As duas coisas estão interligadas. No seu caso o câncer influenciou a sua decisão em por de lado a carreira. Com o diagnostico de câncer a importância da maternidade cresceu ainda mais e o valor que é geralmente atribuído a uma carreira profissional ganhou outro peso.

No fim do tratamento decidiu não mais trabalhar para os outros. Decidiu fazer consultoria por conta própria. Já tinha feito trabalho de consultoria na KPMG aonde tinha trabalhado durante anos. Decidiu trabalhar por conta própria. Felizmente teve essa oportunidade e com o salário que tinha e o apoio do seu marido reconhece que as coisas foram muito mais “fácies”.

A Sónia contou de forma muito tranquila que nunca se sentiu doente. Apesar de não estar bem, de passar mal em algumas ocasiões, de perder o cabelo, ter ficado inchada como consequência da quimioterapia, de estar longe da família e vários outros inconvenientes; Nunca se sentiu doente. Preocupada sim mas não doente.

E depois de ter passado pela pior fase, a vida passou a ter mais cor. Passou a ser mais colorida. Passou a viver mais as coisas. Eu acho que ela optou por viver a vida nos seus próprios moldes

“Prefiro arrepender-me de não ter feito uma carreira profissional de não ter chegado ao topo (que é relativo já que eu era directora na empresa aonde trabalhava) do que não ter passado tempo suficiente com o meu filho. O meu filho é a pessoa mais importante à quem eu quero dedicar o meu tempo.”

“Não ter tido mais filhos porque teve o câncer da mama. Ficar com um filho só, foi uma decisão tomada entre mim e o meu marido porque eu tive um tumor hormôno dependente.  Tanto que eu fui diagnosticada enquanto amamentava. É muito frequente as mulheres terem este tipo de câncer pôs-parto e durante a amamentação. É muito comum durante a gravidez e durante a amamentação e, os médicos em Portugal disserem que isso é mais comum do que as pessoas pensam.”

Nenhum dos médicos que consultou disse que era seguro ter mais um filho. Era uma decisão sua. Para engravidar teria que enterromper a terapia hormonal

A  sua oncologista disse que mais vale ter um filho e estar aqui para ele do que ter dois e não estar aí para nenhum. Tem uma amiga que disse exatamente a mesma coisa. Por ela  teria tido uns três filhos, mas também pensa que se tivesse sido diagnosticada antes, poderia não ter tido nenhum filho.

“Acho importante alertar as mulheres grávidas e as mulheres que estão a amamentar. Porque eu tinha um caroço, sentia que ele não desaparecia e eu punha o meu filho a mamar naquele peito a espera que o caroço desaparecesse e claro que não desapareceu. É muito importante alertar as mulheres, dizer a elas para não desistirem a qualquer sinal suspeito investigar até descobrir a causa.”

Concordo plenamente com a Sonia, acho sim que temos que procurar ajuda a qualquer sinal de que algo não está bem.  Até quando se trata da nossa saúde e do nosso bem estar temos que seguir os nossos instintos e escutar o nosso sexto sentido. Quando acreditamos que algo não vai bem, a experiência da Sónia nos mostra que temos que procurar quantos médicos e quantas opiniões forem necessárias até descobrir o que não vai bem.

Da historia da Sónia tiramos esperança de que as coisas podem acabar bem. De que existe cura sim e de como um diagnostico precoce pode ser o caminho para a cura. Mas o que a sua experiência também nos mostra é que temos que tomar as rédeas da nossa saúde. Que talvez o segredo não seja um só; mas vários coisas. Ir atrás dos médicos certos, confiar na nossa intuição, estar sempre alerta, fazer o exame do toque, fazer consultas regulares e consultar mais do que uma opinião médica.

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Cuidados de Beleza

Beleza e Saúde para mim andam de mãos dadas, por isso, apesar de ter tido duas conversas em ocasiões diferentes eu acho que no fundo sempre soube que  queria juntar os dois assuntos. A Sonia é uma mulher que mais do que cuidar apenas da maquiagem, dos cabelos também se preocupa com a saúde da sua pele. Ela literalmente tenta olhar para os seus cuidados de beleza de dentro para fora e eu acredito que todas nós mulheres podemos nos beneficiar de alguma forma de tudo aquilo que ela tem para partilhar connosco.

A nossa conversa sobre a rotina e os produtos de beleza, aconteceu numa sexta-feira, no dia 21 de Abril do ano de 2017. Fui ao encontro da Sónia em sua casa aqui na cidade de  Luanda. Como em todas as outras poucas vezes que estive em sua casa, ela me recebeu super bem. Desta vez estava ali para uma conversa descontraída, para falar um pouco e partilhar com os leitores do meu blogue um pouco sobre os seus cuidados de beleza, sobre os produtos que usa e para explicar um pouco como faz a seleção dos seus produtos.

Aproveitamos uma curta janela de tempo que ela tinha antes do marido e do filho voltarem para casa. Para respeitar a vontade da Sónia e do seu marido, acabamos fazer a nosso entrevista na sala de estar. O que no final foi uma ótima opção porque tivemos o privilégio da vista lindíssima e da luz do sol que ajudou bastante na hora de fazer as fotografias.

Logo que começamos a arrumar os produtos, ela fez questão de dizer que tem coisas de marcas diferentes. Que gosta de experimentar coisas de várias marcas e logo no início avisou que tinha amostras de mascaras da Sisley para o rosto uma marca que ela gosta muito e não me deixou sair da casa dela sem levar duas para experimentar e depois contar se tinha gostado ou não.

Falamos de tudo um pouco: Cremes e produtos para o rosto, maquiagem, alguns produtos para o corpo, unhas, dos produtos que usa para o cabelo, dietas, drenagem linfática, fisioterapia e muito mais.

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Maquiagem

No dia, a, dia não gosta muito de por base ou Maquiagem em geral. No dia-a-dia ela prefere manter um ar mais leve e uma rotina de cuidados mais simples. As únicas coisas das quais ela parece não abrir mão são as unhas e os lábios vermelhos e com cores mais vivas.

Rotina de beleza:

Começa o dia limpando o rosto com uma mousse de limpeza, depois de limpar usa ampolas de vitamina C Concentrada (a vitamina C é muito boa para quem tem ou quer prevenir manchas na pele) da Martiderme. Uma ampola chega para até três aplicações. Hidrata, estimula a produção de colagenio e ajuda a combater as manchas e sinto que faz efeito e sente uma diferença na hidratação, elasticidade e brilho da pele. Essas amplas são para peles mais secas.

Depois das ampolas, usa um hidratante para peles muito secas e logo a seguir usa um protetor solar factor 50 com cor. O protetor solar deixa a pele com um tom dourado e com isso não precisa usar mais base e facto de ter este tom dourado tem a vantagem de não deixar a pele esbranquiçada. No decorrer da nossa conversa ela contou que tem melasma.

O melasma em um tipo de mancha escura que aparece na nossa pele ou como resultado de exposição ao sol sem a devida proteção, ou por questões hormonais como uma gravidez. É possível minimizar o problema mas ele costuma ser chato e a qualquer alteração hormonal ou exposição ao sol pode reaparecer. No caso da Sónia, ela conta que já tentou tratar com lazer e funcionou, por isso mesmo hoje em dia o protector solar é muito importante.

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Rotina da noite:

A rotina da noite é muito parecida com a rotina matinal. Usa o creme hidratante que serve tanto para noite como para o dia. De Noite só não usa o protector solar.

Aos finais de semana:

Todos os fins de semana faz uma mascara de limpeza, depois da mascara usa um exfoliante com grânulos muito finos. Depois disso, usa uma mascara de hidratação profunda da Sisley que foi recomendada pelas funcionarias na perfumaria Paloma. Elas oferecem secções grátis aos clientes limpeza do rosto. E entre uma visita e outra ela sempre acaba por experimentar e conhecer várias marcas e produtos diferentes.

Um produto que também usa sempre é o que usa para hidratar o contorno dos olhos.  Usa o hidratante para o contorno dos olhos da mesma marca que a das ampolas de vitamina C. Geralmente aos domingos gosta de fazer uma hidratação mais profunda.

Nas semanas que sente a pele mais ressecada quando bebe menos água faz uma mascara de hidratação extra ao meio da semana.

“O hidratante de dia, o contorno dos olhos e as ampolas de vitamina C são todos produtos de farmácia. Os produtos de farmácia, da sua experiência, são uma alternativa boa. São produtos de boa qualidade, com um preço mais em conta do que os produtos de perfumaria e eu uso muito.”

Os produtos que mais tem são MAC e Chanel talvez por força de habito mas também porque são marcas que têm produtos com as cores, texturas, embalagem e com a qualidade que procura. Selecciona os seus produtos de uma maneira muito simples. Tem que gostar do que está a usar.

Cabelo

Tem os cabelos levemente cacheados, mas o seu fio de cabelo é liso. Depois de ter passado pela quimioterapia sente que perdeu um pouco do volume que tinha mas ela tanta compensar com os vários produtos que hoje felizmente podemos encontrar no mercado de produtos de beleza.

Vai alternado shampoo e condicionador. Gosta de usar Kérastase. Usa a linha de caviar. Antes usava outras coisas. depois da terapia hormonal por causa do tratamento para combater o câncer o cabelo ficou mais fraquinho encontrou a Kérastase e tem gostado.

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A Mascara de caviar hidrata bem, mas sem deixar o cabelo pesado ou melado. Não fica lambido nem cai. Depois, usa um creme para dar cachos e usa uma espuma de volume de farmácia. Também usa spray para dar volume e este usa com o cabelo ainda molhado. Quando quer usar o cabelo solto e dar mais volume.  Pinta os cabelos ca em Luanda na Bio Clinic.

As Unhas

Gosta de pintar as unhas de vermelho, laranja, cor de tijolo, castanho. Essas são as cores que mais gosta de usar. Ela contou que não gosta de cores claras nem do mesmo tom da sua pele.

“Faço as unhas sozinha e acho que verniz e batom é para se ver.”

Por isso nos lábios também opta sempre por vermelhos e laranjas. Gosta muito do top coat da KIKO. Ela conta que descobriu recentemente e gosta porque ele tem muito brilho e da um efeito meio gelinho. Gosta de vernizes mais espessos e gosta de vernizes com um pincel mais largo. Pois acho mais fácil de aplicar na unha. Também conta que gosta muito dos vernizes da Chanel; gosta das cores, da consistência, mas não gosta do pincel.

Quando se trata dos batons, também acaba por ir mais para MAC, mas também tem alguns da Shiseido e da Chanel. Não usa lápis para contornar os lábios. Diariamente costuma usar um hidratante para os lábios. No momento esta a usar um da La Prerie. Gosta de bons hidratantes principalmente quando usa um batom mate por cima, os lábios não ficam secos, as rugas dos lábios não aparecerem e o batom fica melhor.

Tratamentos estéticos com um profissional:

A Sónia fala abertamente que não tem preconceitos nenhum quanto aos tratamentos considerados mais invasivos, que só podem e devem ser feitos por médicos especialistas.  Ela contou que faz com uma médica que é cirurgiã plástica. “Faço umas vitaminas cá em Luanda numa clinica no Alvalade com uma médica Portuguesa e faz a cada três meses.  Como tem melasma uma vez por ano faz um acido no rosto para reduzir as manchas.”

“Faço praia todos os finais de semana mas a onze anos que não apanho sol na cara. Se não tiver um chapéu enorme, óculos de sol e muito protetor solar. E digo a onze anos porque foi nesta época que apareceu a mancha no rosto. Na altura fez um lazer mas ainda assim tem que ter muito cuidado.”

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Corpo

Duas vezes por semana faz drenagem manual com uma fisioterapeuta, e gosta muito porque sinto que ajuda a eliminar os líquidos e a celulite. Ela contou que no passado já fez massagem modeladora mas desistiu porque é cansativa e dói muito. Ela acha que estes tipos de tratamentos têm que ser acompanhados de ginastica, uma alimentação saudável e equilibrada e não podemos fazer apenas dez secções, temos que fazer para a vida inteira.

Perfumes

Gosta de perfumes com fragrâncias cítricas. Não gosta de trocar muito de perfumes. Durante o dia gosta de usar fragrâncias mais leves algo mais parecido com uma água de colónia. Fragrâncias frescas para o dia a dia. Não gosta muito de a cada dia ter um cheiro diferente. Não gosta de perfumes muito fortes nem muito doces.

No final da nossa conversa eu percebi que o que ela gosta mesmo é de cuidar de si. Que ao tirar um tempo para cuidar da sua pele, do seu cabelo, das unhas ou para fazer uma mascara hidratante ela cuida não apenas na aparência mas também faz bem para o seu espirito. Ela fez questão que enfatizar que acha que ninguém tem que gostar das mesmas coisas que ela gosta, nem precisa usar os mesmos produtos. O que ela espera é poder passar uma  ou mais dicas, para as leitoras do blogue. Ela quer que as pessoas que passarem por aqui, assim como ela consigam levar algo de bom e apliquem isso nas suas vidas.

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Referências do seu Tratamento médico: Médica Oncologista de Portugal Cristina Frutuoso; Hospital Universitário de Coimbra/ Portugal; Clínica Universitaria de Navarra/Espanha
Referencias e recomendações de Beleza: Perfumaria que visita muito Palomas em Coimbra/Portugal; Cabeleireira em Luanda Bio Clinic Luanda/Angola; Clínica de Estética Fernando Povoas médica Ana Gonçalves Luanda/Angola

4 Comments Add yours

  1. Claudia diz:

    Wow!!!
    Excelente Post desde a história do cancro e depois a routina de beleza!!! Adorei!!! Aprendi e concordo que cada um tem de gostar dos seus produtos pois eles teem funcionalidades diferentes em cada pessoa!!!
    Marcela és o máximo! Trazes sempre matérias muito boas, como tudo que fazes!!! Isso vou te dizer SEMPRE!!!
    Beijinhos 😘

    Liked by 1 person

    1. marceladeaguiar diz:

      Claudia,
      Mais uma vez muito obrigada.
      É muito importante para mim que as pessoa gostem, que se identifiquem ou que consigam tirar algo daquilo que eu publico aqui.

      Gostar

  2. Claudia Cohen diz:

    Acompanhei bem de perto está história a Sónia mora no meu coração . Uma lutadora , uma vencedora . Te amo amiga

    Liked by 1 person

  3. Maria Adelia Cohen diz:

    Gostei de ler a história da Sonia, a nossa Bidu, e ela está linda e cuida-se, beijinhos

    Liked by 1 person

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