Janeiro: Ano Novo. Vida Velha?

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Hoje. É um novo dia, de um novo tempo que começou! Será?

Não vou pedir as pessoas, muito menos tentar convence-las de que sou a dona da verdade, nem dizer que existe um jeito certo de fazer as coisas.  O que eu quero mais do que qualquer coisa é poder continuar a partilhar tudo aquilo que já tive e continuo a ter a oportunidade de aprender e descobrir. O que eu quero é pedir, que em tudo aquilo  em que conseguirem encontrar significado, em todos os posts com os quais conseguirem  identificar-se e com cada estória ou conversa que despertar o interesse, curiosidade ou familiaridade, que sejam generosas o suficiente para partilhar e voltar.

Sempre quis criar um espaço aonde pudesse partilhar as nossas historias. As minhas e as suas; as nossas estórias. Um lugar aonde brilha apenas a vontade de fazer melhor e de ser melhor. Abrir espaço para a possibilidade de aprendizado, para o crescimento e o desenvolvimento de cada pessoa que escolher passar pelo meu blogue.

Neste ano de 2018 vamos falar sobre trabalho e sobre a forma como estamos a construir as nossas carreiras. Neste ano de 2018 vou partilhar com vocês de aonde vou buscar inspiração para o meu trabalho e para a minha caminhada. Neste ano de 2018 vamos contar mais estórias, vamos ter várias conversas, conhecer novas mulheres e homens, ler vários livros, preparar novas receitas, decorar outras mesas e testemunhar vários eventos.

Não vou falar de comunidades, nem de grupos de mulheres. Não porque eu não acredite na sua força e no significado que eles têm para tantas mulheres em Angola e pelo mundo fora, mas sim porque eu nunca me enquadrei e não me identifico muito bem com eles. Vou falar sim de como de gota em gota todos podemos chegar mais além. Vou partilhar aqui no blogue como estou a construir o meu espaço e a minha estória. Vou fazer isso um post de cada vez.

Como já é praxe deixem-me dizer que não vai ser fácil, mas que escolhi perseverar. O blogue vai estar ainda mais direcionado para as estórias das mulheres e homens que eu respeito e admiro. Vou continuar a trazer para vocês conversas com pessoas interessantes que estão a dar o seu contributo e que querem deixar a sua marca.

Para trazer o melhor conteúdo para o blogue, eu vou continuar a chatear os amigos, conhecidos, parentes e até desconhecidos em busca das melhores estórias, as mais encantadoras. Vou continuar a partilhar todos os seus segredos de beleza. Vou continuar a falar sobre todos os assuntos que me fascinam.

As minhas alegrias e as minhas tristezas. Os meus encontros e desencontros. Os meus amores e desamores. Mas alto lá! Sem indiscrições, exageros, nem pressa. Devagar e bem porque para frente é o caminho. Os meus pequenos, o meu gosto pela leitura e as minhas aventuras gastronómicas vão continuar a habitar nas paginas deste blogue que este ano vai completar o seu primeiro ano de vida.

Ano novo que de novo não tem nada.
A vida segue e nos tornamos mais velhos, mais calejados, mais sofridos.
Do ano que passou não esqueceremos nada, muito pelo contrario lembraremos de todas as coisas, de cada detalhe: das coisas boas e das coisa más, das mais difíceis as mais feias e até das mais sofridas.
O ano pode até ser novo mas a vida que segue é cada vez mais velha. Alguns dizem que não é o ano que tem que ser melhor, somos nós que temos que fazer melhor. Será?
O que eu sei é que carregamos para o primeiro de mais de 365 dias que ainda estão por vir as esperanças, as metas, as conquistas, os fracassos dos mais de 365 dias que já passaram.
Ninguém espera — ou não deveria— a virada do ano para começar às dietas, para  apaixonar-se, para finalmente começar a cuidar melhor da saúde ou para desfazer-se de “amigos” que já nem eram lá essas coisas. Não!
Tudo isso nós vamos fazendo ao longo dos muitos/vários 365 dias que tivemos ao longo de toda a nossa vida.
Assim como quem não nasceu, não casou, não foi feliz até o dia 31 de Dezembro do ano passou. Sempre pode nascer, casar e ser feliz entre o dia 01 e o dia 30 desses outros 365+ dias que virão pela frente.
Eu já não fico mais ansiosa para que o ano velho se despeça, nem para que o novo ano se apresente. Porque foi no ano velho aonde eu deixei ficar algumas das minhas maiores e melhores lembranças. Os momentos mais marcantes, mais felizes as pessoa mais importantes. Momentos e pessoas que só vou poder carregar comigo nas lembranças com muita saudade.
Sim. O ano é novo. É novo porque pelo menos bem lá no começo, ele está sempre cheio de boas intenções; de atitudes positivas, metas para cumprir, boa disposição, boas vibrações e vontade de realmente fazer diferente.
Mas essa vida é velha e por ser velha é preciso cuidar. É preciso olhar para ela com cautela e sabedoria. É preciso lembrar das experiências passadas e saber que assim como as tristezas, o desespero, o amargo do passado, isso que estamos a sentir no começo também passará.
Nesse novo ano ou ano novo, em que pela primeira vez eu estou a tentar aprender a lidar com a vida que foi. Também é um ano em que penso muito na vida que ficou, na vida que está aqui. Na vida que quer e tem que ser vivida. Penso na vida que mal começou e na vida que ainda está por vir.
Fala-se muito em ser mais sincero, mais verdadeiro mas como eu já disse lá atrás isso não é coisa de ano novo. Isso é coisa que vem com o ano velho. Isso é coisa que vem com as experiências dos outros 365+ que ficaram lá atrás mas que arrastamos sempre para os 365+ que ainda estão por vir.
Por isso é bom lembrar que rever, reforçar e renovar as amizades, tudo isso é coisa de …
Trabalhar, batalhar, se esforçar, se esfolar e se frustrar é coisa de …
Nascer, morrer, renascer, perder é coisa de …
Sorrir, chorar, praguejar, rezar, agradecer e amaldiçoar é coisa que cada um de nós faz todos os dias. A qualquer dia, a qualquer hora. Com ou sem aviso. Com ou sem hora marcada.
Tudo que nasce morre e ainda assim as duas coisas continuam a ser um mistério. Uma é desejada e a outra temida e abominada. Ano novo pode ser a qualquer dia, até no meio do ano, desde de haja motive para isso, basta plantar a sementinha. E é importante lembrar que fim de ano também chega sem pedir licença para nos mostrar como num instante, tudo pode vir a baixo.
Por isso pense nisso não mais como uma chance. Pense sim, como mais um dia carregado de todos os outros dias e que como todos os outros dias, já que ele nasceu e você junto com ele, então é preciso que você faça ele valer a pena. Nem que seja para contar a estória para todos os outros dias, semanas, meses e anos que virão depois deste de como foram os seus anos novos.

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4 Comments Add yours

  1. Ginga Lopes Teixeira diz:

    Marcela muito obrigada por tudo pelas estórias, dicas, aprendizado etc etc e espero receber sempre as tuas publicações

    Gostar

    1. marceladeaguiar diz:

      Ginga, sou eu quem agradece. Olha para para receberes todas as publicações basta começares a seguir o blogue tem uma função em baixo que te da a possibilidade de fazer isso é uma caixinha com o sinal de + assim sempre que publicar algo aqui no blogue tu recebes uma notificação por e-mail.

      Liked by 1 person

  2. Kizzy diz:

    Oi Marcela, parabéns pela partilha de mais uma estória. Eu concordo contigo, acho que o ano novo não tem nada de novo, segue como a continuação do foi feito anteriormente, e flui como um rio com novos dados e nova informação. Mas eu gosto do ritual do ano novo, porque me permite parar e reflectir, de uma forma colectiva. Eu sou uma pessoa consciente da minha mortalidade, e quando celebro mais um ano, sinto mesmo um júbilo interior: uma meta alcançada. Não foi sempre assim, durante muito tempo foi apenas o ritual da festa e celebração mas depois do “nine eleven”, ocorreu em mim essa tomada de consciência. Especificamente, na altura estava em Londres e pouco depois do ataque em N.Y tivemos uns ataques “terroristas” aqui no metro e autocarros no centro de Londres. Eu trabalhava numa empresa de seguros no centro da cidade financeira – Liverpool Street – e fazia parte da equipa de segurança, um trabalho voluntário. Na manhã em que ocorreu o ataque em Londres, saí de casa normalmente e cheguei ao trabalho sem problema. Pouco tempo depois, fui “activada” para um processo de resgate, o meu Director que também fazia parte da equipa de segurança do edifício tinha comunicado o ataque aos colegas, seguíamos os eventos do dia por televisão e um rádio onde recebíamos instruções da London Metropolitan Police. Nós tinhamos a responsabilidade de confirmar a localização de todos os colegas do site de Londres, e coordenar o seu regresso seguro a casa ou trabalho, o que fosse mais próximo, através de canais especiais. Eu especificamente, tinha a responsabilidade de registar todas as decisões tomadas nesse dia. Eram folhas e folhas de papel, com detalhes das horas e minutos, e nomes das pessoas que tomavam as decisões, que diziam o quê, e os funcionários que ja tinham sido localizados. Não parei de escrever nesse dia. Acredito que também era a adrenalina, a escrita permitia-me focar em algo, sem me entregar à insensatez do que se passava lá fora. Depois desse dia, senti-me acordada, de uma forma que não tinha estado antes. Quando cheguei a casa senti o chão desabar. Nesse dia muitas pessoas perderam a vida, ou foram afectadas de uma maneira única, bem perto do meu local de trabalho. Eu estava bem. Até esse dia não me tinha ocorrido a idéia de que ao sair de casa de manhã, talvez pudesse não voltar. Hoje quando saio de casa, é sempre uma possibilidade que considero. E quando celebro um ano de vida, seja meu aniversario ou ritual de ano novo, celebro mesmo de coração. Todos os dias são um novo dia, uma nova possibilidade, são novos na oportunidade que oferecem para continuar o trabalho de ontem. Acho que o que mudou em mim, e a intenção de eu partilhar esta pequena estória, que ressurgiu depois de ler a tua estória.. é a intenção. A minha intenção de viver mudou. Sei que não tenho controle de nada, e que tudo pode desabar no momento, mas no momento eu Estou, e isso é tudo. Se faz sentido… Um abraço.

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    1. marceladeaguiar diz:

      Faz todo Sentido Kizzy.

      Gostar

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