Delfina Marlene Rocha Pedro: Quando querer é poder.

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Marlene e eu nos conhecemos por puro capricho do acusado e com um empurrão das redes sociais. Assim do nada, nem sei porque ela foi com a minha cara e começou a seguir a minha pagina no Instagram. Inicialmente acho que foi o nosso interesse mutuo pela comida e pelo que há de melhor na gastronomia. Eu lembro que naquela altura o meu Instagram estava sempre inundado de pratos novos e eu estava constantemente a cozinhar. Em Dezembro de 2014 eu decidi dar três aulas de culinárias antes do natal e ela foi uma das primeiras pessoas a aderir. Nos conhecemos pessoalmente nas aulas de culinária, uma foi logo com a cara da outra. Eu conheci uma mulher alegre, determinada que emanava autoconfiança. Mas tinha algo mais, algo que ela fazia questão de não deixar escapar. Na hora eu percebi que ela  era o tipo de pessoa que eu não podia deixar escapar da minha vida. Naquele momento eu soube que queria conhece-la melhor e  tentar contar parte da sua estória.

Ficamos uma com o contacto da outra e fomos falando. Não preciso nem dizer que assim que tive a oportunidade convidei ela para um dos meus chás de beleza, ela aceitou e foi ali aonde eu tive a oportunidade de observa-la mais de perto. Começar a perceber um pouco mais e ficar cada vez mais curiosa. Alguns meses depois eu fiz o convite para uma conversa. Ela aceitou e foi assim mesmo. Como a boa executiva que é, ela chegou no inicio da noite, depois de um dia exaustivo, super atarefado de trabalho, mas com um sorriso nos lábios e muito bem humorada, respondeu todas as minhas perguntas sem nem pestanejar.

Delfina Marlene da Rocha que na verdade gosta de ser chamada por Marlene, nasceu em Luanda  em Julho, na segunda e melhor parte dos anos 80. Aos 7 anos foi viver para fora do pais e só voltou para viver e trabalhar em Angola 20 anos mais tarde.
A filha mais velha de 4 irmãos, dois rapazes e uma menina mais nova. Aos 7 anos  foi viver para os Estados Unidos, alguns anos mais tarde voltou para Angola com os pais mas como o pai não quis que perdessem o inglês mandou Marlene e os seus irmão para a Namibia aonde viveu por 9 anos. Depois de alguns anos na Namibia ela voltou para os Estados Unidos aonde fez a sua formação em contabilidade, seguido de um mestrado em Finanças. No ano de 2011 com os seus diplomas ela voltou para Angola aonde esta até hoje.

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Não tinha como explicar essa mulher, não tinha como começar a falar desta mulher sem contar um pouco do seu historial de família. Muito do que ela é hoje deve-se a sua criação e passa pelo facto de Marlene ser a filha mais velha e daquilo que isso representa  na sua família.

Ser a filha mais velha é uma responsabilidade tremenda, os pais sempre me fizeram ver que como a filha mais velha tenho de passar um exemplo para os meus irmãos e isso quer dizer: Manter aquilo que os meus pais me ensinaram e fazer disso as bases da minha conduta dentro e fora de casa. Estar consciente das suas ações, de que aquilo que os seus pais passaram para ela esta a ser implementado, tem valor e mostrar isso através das suas ações. Ter boas maneiras com os mais velhos, estudar e ser responsável.

A escola na sua família é e sempre foi muito importante até porque a sua mãe não teve a oportunidade de terminar o médio nem fez a faculdade. Na cultura angolana se a mulher engravida e casa cedo, depois tem que por a família e os filhos na frente de tudo. Talvez por isso, em casa, a mãe sempre prezou muito pela educação e pela formação dos filhos.

A minha mãe sempre disse: “Para serem alguém na vida vocês precisam estudar, encontrar algo que vocês gostem porque o trabalho é algo que vão fazer por toda a vida e vai ocupar grande parte da vossa vida.” O trabalho dignifica o homem. Eu estudei, me formei fiz o meu mestrado e os meus pais incentivaram; “tu tens que fazer isso para mostrar aos teus irmãos que eles também podem. Tu vais ser sempre a primeira em tudo.” Tanto é que agora já começaram a fazer pressão para que eu case e assim abrir as portas para os outros irmãos. Algo com o qual eu não concordo.

Como sente a responsabilidade de ser a primeira, a mais velha?

Acho que essa foi uma responsabilidade muito grande. Mas não senti que foi algo a mais. Os meus pais sempre apoiaram as minhas decisões, sempre apoiaram e sempre tiveram as portas abertas para o dialogo no ceio da família. Eles foram abertos mas não nos estragaram com mimos. Especialmente porque vivemos fora de Angola, longe dos pais poderíamos ter tido liberdade a mais, mas não foi isso que aconteceu. Como africanos típicos valorizamos e respeitamos muito a família.
Por um lado eu gosto de ser a mais velha, gosto de dar um bom exemplo para os meus irmãos. Eles vão ter comigo para dar um conselho, uma opinião, para buscar inspiração. Converso muito com os meus irmãos temos num relacionamento próximo e muito aberto. Dois dos meus irmãos vivem fora. Um já terminou e trabalha nos Estados Unidos e o outro está a terminar os estudos. Sempre que têm algum problema ou questão vêm falar comigo. Muitas vezes nem se sentem tão confortáveis para falar com os nossos pais e é comigo que eles vêm ter. Tem vezes que não é tão bom porque tens que ser um exemplo praticamente o tempo todo mas fora isso eu gosto. É uma honra!

A Marlene contou que passou por algo aos 18 anos e essa experiência a fez ficar mais responsável ainda; fez dela mais madura e junta a isso o facto de que anos mais tarde quando regressou para os Estados Unidos para fazer a sua formação Universitária, ela ficou sozinha. Ela que sempre foi uma pessoa responsável tornou-se ainda mais responsável. Desde nova que os seus pais sempre passaram para ela esta responsabilidade. Muitas foram as vezes em que ela ficou a tomar conta dos irmãos mais novos — quando os seus pais tivessem que sair para as festas de empresa. A verdade é que ela sempre foi muito certinha. Mesmo nos tempos da faculdade nunca foi as festas.  E mesmo depois de estar formada, nunca ficou bêbada. Nunca foi irresponsável. Tentou um pouquinho mas a verdade é  que ela não sabe como não ser responsável.

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Porque escolheu estudar Contabilidade & Fianças?

Eu sempre adorei Biologia, pensei em estudar medicina. Chegou a dizer isso ao pai e ele hesitou um pouco. Medicina são tantos anos de estudo e depois eu não sou nada paciente. Gosto de fazer as coisas e ver logo os resultados e medicina leva mais anos de formação, depois tens que fazer um estagio e especialização. Então era ou medicina ou contabilidade porque estes dois eram os meus pontos mais fortes; biologia e contabilidade. Vi que  contabilidade era algo mais viável e pratico. Até porque eu gosto de lidar com dinheiro então fiz contabilidade.

Voltou para Angola em Junho de 2011. A volta foi um choque! Foi tudo de uma vez. Estava num relacionamento que já durava 4 anos. Voltou cheia de planos.

Por um lado tinha o pai a dizer: “Filha volta! E como eu não cresci em Angola, vinha nas ferias mas nunca tinha vivido a realidade do dia-a-dia cá em Angola. Achava fascinante muito do que as outras pessoas criticavam ou pareciam não gostar. Gostava de ir a praia, ir a praça, ir a padaria comprar pão, achava fascinante ver as outras crianças irem para a escola de bata, Eu queria usar bata. Queria conhecer Angola, saber o que é viver em Angola para depois poder dizer que tentei.

Marlene é assim:

Gosto de tentar e só assim poder dizer que não deu certo. Mas posta cá foi um choque. Não era próxima de ninguém, cresci longe dos primos e da família e sentia-me muito só. O namorado com quem eu tinha feito tantos planos ainda estava nos Estados Unidos a acabar o mestrado. Tinha os meus pais mas não era a mesma coisa. Sentia como se estivesse sozinha. O resultado foi que duas semanas depois de ter chegado a Luanda eu estava deprimida. Conversei com a minha mãe e fui para a Namibia. Foi lá aonde eu cresci e tinha algumas amizades. Fiquei  na Namibia por três semanas e quando voltei para Angola foi a mesma coisa.

Assim que chegou, em Setembro foi trabalhar para a Accenture, fez algumas amizades, começou a conhecer pessoas, a receber convites. Ficou por quatro meses na Accenture e logo depois foi para a Schlumberger. E foi lá ande encontrou pessoas com estórias parecidas a sua. Pouco tempo depois o seu relacionamento acabou. Foi duro mas  foi encorajada pelos colegas a sair mais, a se abrir mais. E mesmo com o fim do namoro (quase noivado) decidiu continuar aqui.

É aqui ande eu quero ficar, é aqui ande quero casar ter e criar os meus filhos.

Como conseguiu o emprego na Schlumberger?

Consegui o meu primeiro emprego através do meu pai. Infelizmente aqui em Angola até mesmo com qualificações para conseguir um emprego ajuda muito indicação de alguém.

O seu pai conhecia um funcionário da Accenture uma empresa prestadora de serviços na área petrolífera. Entregou o CV, passou por todo o processo de entrevistas e conseguiu o emprego. Ela foi trabalhar no projecto do departamento de finanças.

Estava a trabalhar em algo que não tinha nada a ver comigo. Estava a desenhar processos financeiros. Eu sou financeira, estava a desenhar processos financeiros. Não tem muito a ver comigo porque gosto de números. Estudei números então desenhar processos não era aquilo que eu gostava de fazer. Tudo bem, tinha um trabalho e estava a trabalhar com Angolanos mas realmente não estava satisfeita naquele emprego. Então falei novamente com o meu pai que felizmente conhecia alguém que trabalhava na Schlumberger na altura. Enviei o meu CV, fui ter directamente com o director de fianças da empresa. Fiz  a entrevista e vários testes depois disto fui aprovada e estou na  empresa até hoje.

Como é o seu dia-a-dia de trabalho?

O meu trabalho é muito estressante. Hoje já me arrependo de ter feito finanças (diz a gozar). Ser a pessoa que faz o centro das operações é como se fosses a directora financeira de um departamento. Trabalho com o director das operações deste departamento. Tudo que tem a ver com finanças deste departamento tem que passar por mim e pelo contabilista que reporta a mim. Eles fazem as transacções todas e tudo que tem a ver com os livros e eu aprovo. Verifico se os números fazem sentido e faço a previsão para o futuro, faço o controle de custos para certificar que não estamos a gastar a mais, que estamos a alcançar os objectivos do seguimento que é fazer margem sobre o que estamos a vender. Controlar os custos. Depois dar seguimento com os clientes e ver o quanto devem.

O seu trabalho envolve várias coisas. O seu dia-a-dia depende muito daquilo que tem que fazer. Do dia 25 do mês até o dia 05 do mês seguinte é uma altura em que fica extremamente ocupada porque tem que fechar o mês. Fechar os livros das actividades do mês. Fechar os livros, dar relatórios sobre os números, falar com o pessoal fora de Angola para certificar que os números que estão a reportar estão agradáveis para a empresa, que estão a alcançar os objectivos e as metas.

No dia-a-dia, faço o acompanhamento junto aos clientes dos produtos que vendemos, reuno com clientes, participo das feiras de apresentação de novos serviços e produtos. Levo contratos e propostas para angariar novos clientes. Faço tudo isso; trabalho com o director de vendas e o director das operações e depois reporto ao director financeiro da empresa.

Como vês os teus colegas angolanos no ambiente de trabalho? A sua forma de trabalhar?

A empresa aonde eu estou é conhecida por ser uma escola. Quem lá vai parar pode ter a certeza que vai trabalhar. Duvido muito que se não tivesse entrado para a Schlumberger saberia o que sei hoje. Nos últimos três anos estive exposta a tantas coisas. É claro que tudo é uma oportunidade e tu tens que estar disposta a aprender e extrair o máximo daquilo que te vai ser apresentado. O que eu vejo aqui em Luanda é que as pessoas são ambiciosas. Elas querem ter, mas não estão dispostas a trabalhar para ter aquilo que realmente querem ter. Eu já tive nesta coisa de ir ter com os clientes. Dar seguimento daquilo que eles têm que nos pagar. Já sentei com muita gente. Já vi e conheci muitas pessoas que têm mais pose do que conhecimento de facto. Pessoas que chegam bem vestidas, bem apresentadas mas na realidade não sabem absolutamente nada, estão só a preencher posições.

Aqui em Angola eu acho um pouco complicado. Eu sei que na empresa aonde eu estou, trabalhamos e trabalhamos de facto. Eu vejo isso com as pessoas a minha volta. Eu faço a comparação com amigos e conhecidos que trabalham em outras empresas e ocupam a mesma posição que a minha mas não fazem nem a metade do trabalho que eu faço. Têm o mesmo estatuto mas não fazem metade. Por vezes eu estou numa posição inferior em termos de título de trabalha mas eles não fazem nem sabem fazer metade do que meu faço. Não entendem metade do que eu entendo. Depende muito do esforço de cada pessoa de querer aprender e querer fazer. Mas muitos não estão dispostos a sofrer, a batalhar para ter aquilo que têm e o que querem. E isso é algo que sempre me foi passado em casa. Quer alguma coisa tem que lutar para ter. Quer ir para algum lugar luta para lá chegar. A minha mãe sempre disse: “Estuda para poderes ser alguém, para amanhã poderes comprar o que quiseres comprar, para dar uma vida confortável para os teus filhos.”

Eu acho que aqui o que falta nas pessoas é seriedade. Seriedade no que é trabalhar. As pessoas saem de casa, chegam ao trabalho, sentam em frente a um computador e não fazem praticamente nada. Fulano imprime isso, e ele levanta e vai imprimir, não pergunta o que esta a levar para imprimir. Por quê e que relevância aquele documento tem? Para  onde vai? Pega no papel, lê. Tenta entender!

Os meus mentores dizem que eu faço muitas perguntas. Eu acho que aquela pessoa que não sabe não é burra, apenas preguiçosa. Para saber tu tens que procurar, buscar, tentar entender e eu sinto que é isso que falta no que diz respeito ao trabalho. As pessoas sobem com muitas facilidades, sem esforços. Porque conhece o fulano ou sicrano, tem a posição mas não exerce o que a sua posição exige. O título que ele tem não corresponde ao que ele faz. Isso é muito triste. Há pessoas que têm a capacidade mas não sobem simplesmente porque não conhecem as pessoas certas, não conhecem ninguém.

Quais são os teus objectivos, metas e ambições?
Dizem sempre que uma mulher que tem uma carreira bem sucedida não pode ter uma família. E eu estou a ver que tem algo de verdade nisto. Eu quero construir uma carreira porque eu não estudei para não levar isso a diante. Quero exercer a função para a qual eu estudei, mas ao mesmo tempo quero uma família. Então estou a chegar ao ponte em que tenho que por as coisas na balança. Ter a carreira que tenho agora, tão corrida com tantas responsabilidades. Trabalhar até altas horas. Recebo mensagens e e-mails do nada aos finais de semana para voltar para o trabalho ao domingo e eu me pergunto como seria isso com marido e filhos?

Estou numa fase em que estou a analisar tudo isso e acho que quando criar a minha família vou ter que relaxar um pouco a carreira e dar prioridade a família. Mas também sinto que no momento a empresa aonde estou sabe que ainda não tenho a minha família e que nada me impede de trabalhar fora dos horários normais, por isso sou tão solicitada e  também sabem que nada impede o meu crescimento e eu quero crescer. Quando entrei para a empresa eu tracei as minhas metas. Disse para mim mesma que num prazo de 5 anos queria estar num certo lugar e estou quase lá mas estando quase lá, estou a ver que me falta muita coisa. No ramo profissional as coisas estão a evoluir muito bem mais do lado afectivo ainda faltam algumas coisas. Mas o que tiver que acontecer vai acontecer. Deixa-me concentrar no que esta a dar certo.

Quais foram as melhores decisões que já tomou?
A primeira foi a de não me casar tão cedo. Quando voltei estava quase tudo pronto para dar este passo, só faltava formalizar as coisas.
A segunda foi, ter voltado para Angola. Aqui aprendi a batalhar muito para ter o que tenho hoje. Cresci muito, aprendi muito sobre mim, sobre o trabalho e a forma de estar do povo angolano. Acho sim que somos um povo que batalha porque viver nas condições que vivemos, com as dificuldades que temos a ainda assim conseguir ter sempre um sorriso no rosto, é de se louvar.
Tenho a certeza que ter estudado também foi uma ótima decisão.

Coisas ou pessoas mais importantes na sua vida?
Mãe, pai e Irmãos. Isso é certo. Não seria quem eu sou se não tivesse os meus pais e o apoio dos meus irmãos. No ano passado (2014) passei por algo que não teria superado se não tivesse o apoio dos meus pais.

O que da sentido a sua vida?
Deus!
Tenho pensado muito nisso. Acho que tudo que eu tenho é uma benção. Eu olho a minha volta e vejo os que não têm o que eu tenho e eu aprendo a valorizar mais. Eu passei pelo que passei mas estou bem. Consigo andar, tenho saúde, tenho um pai e uma mãe, tenho um emprego, trabalho naquilo que entendo e que gosto de fazer.
Deus!
Eu sou quem eu sou pela graça e pela vontade de Deus. Saber que a minha vida tem sentido, saber que sou útil, que sou uma filha para os meus pais, sou irmã para os meus irmãos. Que a minha vida tem significado para outras pessoas, isso da sentido a minha vida. E saber que no futuro vou ser mãe de alguém, isso também da sentia a minha vida.

O quê mais valoriza na vida?
A família. Acho que já deu para perceber que família é tudo para mim. É união, é ter alguém para nos amparar. Saber que manhã se eu passar por algo, vou te-los para me apoiar, dar conforto, carinho e conselho. Saber que eu não estou sozinha neste mundo é muito importante.

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Quais são as tuas paixões?
Adoro cantar, quem me dera ser cantora.
Gosto de viajar, dispenso entrar para o avião mas adoro viajar.
Compras, Adoro gastar dinheiro algo que não tem nada a ver com o meu lado financeira mas gosto de comprar coisas, ficar bonita, agradar a mim mesma. Os meus irmãos os meus familiares vê-los felizes.
Gosto de pintar, sempre gostei. Na infância pintei muito. Sou viciada por filmes. O meu final de semana ideal é ficar relaxada a ver filmes. Estar em casa sem fazer absolutamente nada. Ler um bom livro.

Amor…
Família. Quando tiver a minha família: O meu marido, os meus filhos. Oh meu Deus!

Medos?
Não me casar. Não ter os meus filhos a minha família. Esse é um medo muito grande. Estou numa fase em que vejo todo o mundo ao meu redor a casar e a ter filhos e sinto que estou estagnada no que diz respeito a vida. Sim. Porque a vida não é só trabalho. A minha família, os meus tios falam, por isso por vezes eu prefiro me fechar e não estar sempre no meio das pessoas para não pensar nisso nem ter que ouvir comentários. O meu medo é a minha vida ser sempre só isso:

Carreira! Carreira! Carreira. E não ter a minha família, os meus filhos. Porque eu tenho as minhas metas e os meus objectivos mas desde pequena que eu dizia sempre: “ Quando eu tiver os meus 25 anos já vou estar casada e ter tido os meus filhos.” Vou ter isso e vou estar ali mas estou a ver que a cada ano que passa estou mais distante deste acontecimento.
Tenho medo de não fazer tudo aquilo que eu imaginei que fosse fazer, na carreira, no lar. Eu sou uma pessoa que traço metas e quando percebo que estou a me distanciar disso fico frustrada, chateada, triste de não conseguir atingir as minhas metas e os planos que fiz para mim e para o meu futuro.

Não ser amada é um medo! Eu acho que eu tenho algo que é; eu gosto de ser amada, valorizada. eu já estive em relacionamentos aonde eu estava a tentar tanto, a fazer de tudo e a outra pessoa não deu o mesmo amor não me valorizou. Eu insistia na esperança de que a outra pessoa me amasse e quando as coisas não aconteciam da forma que  eu esperava fui eu quem saiu ferida.

Outro medo é de perder as pessoas que eu valorizo muito. Medo de perder as pessoas que eu amo. Não imagino a minha vida sem a minha mãe que é uma pessoa que eu valorizo muito. Eu amo muito a minha mãe. Ela é a minha melhor amiga e não sei nem quero pensar em um dia perde-la.

De onde é que achas que vem esse medo de não ser amada? de não ter essa família. De onde vem esse desejo por ter tanto esta família?

Isso vem dos meus pais, da minha criação e da minha família. Fui criada para valorizar a família.

Ela diz que aprendeu e sempre lhe foi passado que é importante uma pessoa não estar só. Os seus pais sempre a fizeram ver que família é importante para a vida.

Os meus pais têm um ao outro. Criaram a sua família e eu me pergunto porque é que eu não posso ter a minha família? O que é que eu estou a fazer com a minha vida se eu não tiver isso. Mas com o tempo eu vejo que a família é importante sim mas as pessoas põe muita pressão por cima disso. Porque eu acho que se não tivesse esse barulho a toda hora o medo seria menor.

Eu disse a ela que acho que muitas vezes o Casamento acaba por servir de desculpa para encobrir, para esconder outras carências na nossa sociedade. “A fulana não trabalha ou não faz nada da vida, mas ela já é casada. A Fulana não estudou e não quer estudar. Mas ela esta grávida ou ela já tem filhos. O Casamento e a maternidade têm um peso muito grande na nossa sociedade. São duas realizações que a nossa sociedade colocou num pedestal.

Marlene: Eu valorizo muito o que as outras pessoas dizem. No momento em que as coisas são ditas eu posso até dar a entender que não me importo ou que aquilo não me afecta, mas depois quando estou sozinha eu vou remoer. Vou ficar a pensar a respeito. Eu dou muita atenção ao que as pessoas dizem. E gostaria que não fosse assim. Tanto é que se o meu pai diz Delfina não faz isso. Eu não faço. Ele diz Delfina já estas na idade de casar e eu também fico a pensar que se calhar já deveria estar casada. Delfina não estuda isso e eu obedeci. E tenho que deixar de ser assim.

E mais uma vez eu disse a ela que o que eu percebo é que embora não tenha nada de mal em qualquer pessoa querer casar e constituir uma família. Muito pelo contrario é muito bonito. Ver pessoas alcançarem seus objectivos. Mais famílias formadas. Eu também percebo que para muitos o casamento passou a ser usado para exibir e para esconder  muita coisa. “Eu casei! Eu já tenho os meus filhos e não importa se estou feliz ou não neste casamento; não importa se a maternidade ou a paternidade era algo realmente desejado para aquele momento. O mais importante é poder mostrar para a sociedade que estou casada, que tive filhos.”

Muitas destas pessoas não são felizes, muito pelo contrario, muitos têm relacionamentos extremamente conturbados mas aparentemente o mais importante não é o que acontece dentro das nossas casas nem a forma como nos sentimos de verdade. O mais importante é manter as aparências. O mais importante é que aos olhos da sociedade estas pessoas cumpriram os seus papeis.
As pessoas não se gabam da felicidade. De estar em relacionamentos que valem a pena. Não. As pessoas gabam-se por terem conseguido casar.
Um estudo recente diz que as pessoas mais felizes no mundo são as mulheres solteiras e que as mais infelizes são os Homens Solteiros. Por isso todo esse barulho. Todo o zunzum não pode ser levado muito a sério. Porque se não acabamos por fazer besteiras, ficar com qualquer um ou qualquer uma por medo ou por pura pressão.

Marlene: Eu ainda sou a pessoa que quer casar, eu acredito no amor. AMOR! Foi por isso que não me casei logo depois de ter regressado para Angola. Eu sou uma pessoa que quer encontrar a coisa verdadeira. Antes dos filhos e tudo mais eu quero casar. Eu sou Cristã. Eu cresci com o exemplo do casamento dos meus pais. Para mim o casamento é um acto muito importante. São duas pessoas que querem estar juntas, uma se entrega para a outra. Não é apenas pela festa. O viver a dois, a partilha. Me entregar completamente a outra pessoa. Foi isso que os meus pais me passaram. É isso que leio na bíblia.

IMG_4709Achas que és uma pessoa com os pés no chão?
Em certos momentos não. Como dizem os meus pais “Tu achas que vais encontrar um príncipe encantado que vai fazer isso e aquilo e não é bem assim.” Os meus pais por exemplo acham que eu confio muito. Sou fácil de envolver. Confio sempre que o outro vai vir sempre com as melhores intenções. Eu sou o tipo de pessoa que acha que as coisas são do jeito que eu acho que eles deveriam ser e nem sempre as coisas são assim. Neste sentido eu gostaria de ser mais aberta. Muitas vezes eu gostaria de respeitar mais e aceitar mais a opinião dos outros. “Não ser tão cabeça dura.”, entender mais o lado do outro e isso também tem a ver com a minha impaciência.

Amizades
Eu tenho poucos amigos. Sou mais fechada. Levo tempo para me sentir a vontade. Algumas pessoas acham que sou antipática. Mas na verdade sou mais reservada. Cresci no meio de rapazes. Sempre fui Maria Rapaz e sempre me dei melhor com os rapazes. Tenho mais amigos do que amigas. Mas quando encontro alguém com quem consigo conversar então tenho uma irmã ou um irmão. São poucas estas pessoas. Conto nas duas ou se calhar numa só mão as minhas amizades mas tenho sim e preso muito estas pessoas. Tenho a minha mãe e família é importante mas também preciso destes amigos. Prefiro ter poucas e verdadeiras amizades.

O que falta nas pessoas?
Eu acho que falta humanidade. Falta amor uns pelos outros. Sinto-me mal quando vejo as crianças a pedirem na rua. Sinto-me mal ao ver alguém a sofrer e ter que mendigar por comida, por algum tipo de ajuda  e vejo que muitas vezes as pessoas não ajudam. E mesmo sabendo que muitas vezes as pessoas que estão nas ruas usam esse dinheiro para comprar drogas eu também penso e se realmente essas pessoas estiverem a passar fome?
Eu vejo os videos das pessoas na Africa do Sul por exemplo a serem mortas por xenofobia e isso mexe muito comigo e por isso eu tento fazer a minha parte, eu tento ser mais sincera com as pessoas. Quando posso eu ajudo, quando não posso não posso. Tento ser mais simples. Tento sempre ver maneiras de alegrar e ajudar os outros. Tento fazer o que diz na bíblia: Fazer pelos outros e aos outros aquilo que eu gostaria que fizessem para mim.

Três qualidades suas?
Eu sou trabalhadora; Responsável e simples. A coisa mais simples no mundo me agrada. uma flor, um filme. Não sou uma pessoa difícil de agradar.

Qualidades que achas que os outros vêm em ti?
Que eu sou muito simpática, afável, muito alegre. Que emano muito boas energias. algumas pessoas olham para mim como aquela pessoa que vai brincar e alegrar as outras mas eu não acho que eu seja assim.
Um ex namorado disse-me que eu sou muito receptiva, sou muito carinhosa com as outras pessoas. Eu não vejo isso mas as pessoas dizem que sou assim

O que não toleras?
Traição! Seja de um homem, de um familiar, um amigo.
Mentiras. Não tolero pessoas negativas. Sim eu as vezes fico triste, fico para baixo mas vou falar com uma amiga, tento melhorar. Mas aquelas pessoas que nos põem sempre para baixo não.
Não suporto fracassos. Não suporto pessoas que querem as coisas mas não lutam por elas. Ficam a espera. Querem um emprego mas ficam sentadas a espera que as cosias caiam do céu.
As pessoas que não respeitam os seus famílias.

Sentes falta de alguma coisa? e se sim do quê?
Sinto falta da minha infância. De um namorado. Viajar

Prioridades na vida?
Ser mais saudável. Ter uma vida mais saudável.
Conseguir uma promoção
Sair mais, cuidar mais de mim. Sair da rotina, estou a viver uma vida muito sedentária.

Gosto de ler sobre cultura. aprender coisas novas, palavras novas, formas novas de aplicar coisas novas. Aquilo que eu não conheço me estimula muito. Culturas diferentes, povos diferentes. Gosto de investigar, gosto de música.

…  es a mulher que sempre quiseste ser?

Claro que não!

Desde pequeno sempre idealizei ser como o meu pai. Mesmo ele sendo um homem e eu mulher. Vivi isso por alguns anos. Sabia o tipo de trabalho que teria, a família que queria construir, quantos filhos queria ter, quando me casaria, o tipo de homem com quem me casaria. Mas hoje percebo que talvez essa mulher não seria feliz. Eu hoje não sei que tipo de mulher quero ser. Eu sei que quero ser feliz.

Eu gostava de escrever tudo, de ter tudo apontado, planear as coisas ao detalhe, porque o meu pai sempre anotou tudo, sempre soube a vida que queria ter, até como seria a minha vida — a vida dos filhos. Mas eu não sou assim. Quero estar com alguém que me faça feliz, alguém de quem eu goste e que goste de mim.

O que é que tu dirias aos teus críticos? O que dirias para aquelas pessoas que assumem que tiveste uma vida fácil porque te foi dada a oportunidade de estudar fora do país? As pessoas que diferente de ti não tiveram e não têm um pai com conexões?
Eu não tive escolha de nascer filha de quem sou nem de ter tido as oportunidades que tive.
Mas eu sempre me esforcei. Sim é facto que algumas pessoas nascem com condições mais privilegiadas do que outras e sim também é facto que eu tive muitas oportunidades; mas o meu pai não está aonde ele começou, ele trabalhou duro para lá chegar. Sim o meu pai conhecia pessoas, fez a indicação para que conseguisse uma entrevista de trabalho mas fui  eu quem teve que fazer os testes de trabalho,  e todos os dias eu trabalho arduamente para ter o que tenho. Eu trabalho duro pelo que tenho. Sim recebi um carro do meu pai, mas tive que estudar e ter notas altas para merecer o carro que tenho. E Hoje em dia eu luto para ter as coisas que eu tenho e para conseguir tudo aquilo que eu quero. 

Que conselhos darias para alguém que não sabe o que fazer para conseguir construir uma carreira?
Trabalha duro e não aceites nunca não como resposta. Não deixe que os outros te desencorajem, não dê ouvidos a pessoas que não sabem nada da tua vida nem como fizeste para chegar aonde chegaste. Prove para as pessoas o quanto elas estão erradas. Tu tens que lutar para mostrar para ti mesma que es capaz, que consegues fazer seja lá o que quiseres. Nunca desistas. Nunca! Mantenha a sua fé e os teus objectivos.
Já saí de reuniões terríveis, com chefes duros. Já saí de reuniões e fui chorar na casa de banho mas o dia seguinte fiz melhor, continuei a batalhar. Não desisti.

E quais foram os melhores conselhos que tu já recebeste?
Não deixe que os outros destruam o teu espirito nem te façam desistir dos teus objectivos. Não pensa que o que estas a passar agora vai se manter para sempre. Não deixe que a dificuldade de hoje condicione o teu amanhã. Valoriza quem te valoriza. Tenha paciência e não seja muito ambiciosa. Seja paciente e aprenda a começar de baixo. Perdoe!

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Hoje, quase três anos mais tarde, a Marlene conta que ainda em 2015 reencontrou um dos seus ex-colegas de escola; alguém da época em que ela estudou na Namibia. Os dois já haviam se encontrado em outras ocasiões. Eles reencontraram-se e o que mais a cativou  nele  foi o seu senso de humor. Ele a fazia rir, a deixava mais leve. Quando esta estressada, irritada, sem paciência é ele quem a acalma.

Ela contou que ele fez a sua formação superior na Africa do Sul numa área completamente diferente da sua. Depois de algum tempo começaram a namorar e o resto foi a realização de todos os seus sonhos pessoais. O ano de 2017 foi cheio de novidades e de muita felicidade. O tão esperado e sonhado casamento aconteceu em Maio. Eles fizeram algo simples.  Uma cerimonia civil, íntima.  Participaram apenas a família e as pessoas mais próximas. Dois meses depois o sonho da maternidade se tornou real com o  nascimento da sua primeira filha.

A maternidade superou todas as minhas expectativas. É tudo aquilo que dizem, é viver com o coração fora do peito.

Agora, já casada e feliz, mas ainda a viver um período de adaptação a senhora Pedro admite que tinha muitas fantasias em relação ao casamento. Hoje ela vê que não é nada mais do que a união de duas pessoas finalmente debaixo do mesmo teto. Eles estão muito bem. Um complementa o outro. Ela é mais ansiosa, mais impaciente. Ele é mais calmo mais relaxado. Ela contou que os dois já tinham planos de casar mas como descobriram a gravidez antes de completar os preparativos para o casamento decidiram casar dois meses antes do nascimento da filha e fazer algo simples. Casaram-se no civil porque queriam que a filha nascesse com os pais já casados e também por isso decidiram esperar para realizar o casamento religioso.

Sobre o seu marido ela contou que o que mais a cativou nele foi o facto de conseguir a fazer rir sempre. Depois de vários anos quando voltaram a estar juntos ele contou que ela era o seu “highschool crush” e que sempre esperou que um dia ela fosse a sua minha mulher. Logo depois de se terem reencontrado ela passou por momentos difíceis e ele esteve ai para a dar todo o seu apoio e isso fez com que ela começasse a olhar para ele com outros olhos e foi isso que deu inicia a estória de amor dos dois.

O que as pessoas não falam?
A Verdade! Sobre o casamento, sobre os relacionamentos. Para conseguir as coisas temos que batalhar.

A verdade! Até a pessoa que apanhou câncer involuntariamente não basta fazer quimioterapia, ela vai ter que lutar para se manter viva.

A verdade! As pessoas não falam sobre como feliz. Mostrar que mesmo com a batalha é possível ser feliz, que devemos aproveitar, porque existem muitas coisas boas a nossa espera.

Em relação ao trabalho ela conta, quase que em forma de piada, que no momento está a implorar para diminuir o ritmo de trabalho. Ela voltou de licença maternidade no final de 2017 e o pessoal do escritório  tem ajudado muito. Ainda não está a trabalhar no mesmo ritmo de trabalho que tinha antes da maternidade e ela agradece porque hoje, mal chega do trabalho, tem que cuidar da bebé, do marido e das obrigações como dona de casa. Mas ela espera conseguir equilibrar tudo e esta a aprender a driblar tudo.

Para aqueles que estão curiosos, ela continua a ser a mesma mulher ambiciosa e com vontade de crescer. Em Abril de 2016 ela conseguiu aquela promoção que ela tanto queria e ela não tem planos de parar por aí. Ela quer crescer mais na área de fianças e também cogita aventurar-se em sair um pouco da área de finanças para outras áreas. O que é certo e que ela quer trabalhar para conseguir outra promoção nos próximos seis meses e hoje, depois de ter tido a sua filha confessa que esta a considerar seriamente trabalhar e viver fora de Angola, especialmente pela educação, pela saúde e bem estar da sua filha.

O que é que te inspira?
O resultado final. Tem muito a ver com as fianças. Saber que vou alcançar o que eu quero. Saber que vou comprar algo que vai me fazer feliz, mais bonita. Coisas que me dão prazer, fazer algo que sei que vai me dar prazer. Quando estou para baixo, os momentos mais tristes me inspiram. É ai que eu tiro forças. Uso isso como inspiração para mostrar as pessoas que sou capaz de fazer as coisas. Quando as pessoas duvidam de mim, da minha capacidade. Mostar as pessoas que sou capaz de fazer.

O que esperas inspirar nos outros?
Gratidão. Felicidade. Carinho e Amor próprio.

Falta muito amor próprio neste mundo, principalmente para as mulheres em Angola. Quero inspirar os outros e mostrar que se eu posso fazer eles também podem. Quero mostrar  por exemplo próprio e dessa forma conseguir inspirar outras pessoas a minha volta; inspirar outras mulheres a lutarem e correrem atrás para alcançarem os seus objectivos. Quero ser um exemplo para que as outras pessoas  consigam ter o que elas querem,  assim como eu me esforço para ter o que eu quero.

Quando sento para conversar com alguém eu nunca sei no quê aquilo vai dar, nunca sei o que vou ouvir, e apesar de ter várias perguntas preparadas, ao longo da conversa as coisas tomam vida própria. Ao sentar para conversar com a Marlene eu estava certa que o foco da nossa conversa seria a sua carreira e até certo ponto a sua carreira foi sim o foco. É bom, é inspirador ver mulheres jovens com carreiras solidas na área que for sem descriminar ou achar que por ser mulher tem que fazer isso ou aquilo. Foi melhor ainda perceber que hoje casada, com uma filha e com planos de ter mais filhos ela não perdeu a garra. Não mais pensa em diminuir a carga de trabalho ou por a carreira de lado para fazer o que se espera que muitas mulheres façam em nome da preservação da família. É Bom e é importante poder mostrar para homens e mulheres que a ambição e a vontade de vencer e de fazer brilhantes carreiras não pode ser vista como impedimento para quem quer formar uma família. Muito pelo contrario precisamos informar a todos mas principalmente as mulheres de que quanto mais alto e mais bem sucedidas forem as suas carreiras mais flexibilidade elas terão, maior será o poder sobre suas vidas, maior a independência, o  poder económico e financeiro que também acaba por se traduzir em maior independência e flexibilidade no trabalho e mais possibilidades para melhor controlar as suas prioridades de vida.

Mas por outro lado eu não tinha como não me comover ao perceber que lá atras um dos seus maiores medos e uma das suas maiores preocupações, estava ligado a maternidade e a possibilidade de não encontrar a pessoa tão esperada com quem partilhar os melhores anos da sua vida. Já naquela altura eu disse a ela que ela não tinha porquê se preocupar, assim como eu digo a quem estiver a ler este texto, não se preocupe. Por mais legítimos que sejam os nossos medos quando trabalhamos por aquilo que queremos geralmente costumamos alcançar os nossos objectivos.

A Marlene teve o seu final feliz. Conseguiu tudo aquilo que sempre quis ter e hoje continua a trabalhar para manter as coisas que conquistou. Assim como eu tenho a mais profunda certeza de que cada um de nós vai ter da vida aquilo que mais quer. Mas eu acho importante lembrar que na vida o amor, o casamento, o trabalho, a maternidade ou paternidade os amigos todas estas coisas são importantes, mas nenhuma delas nos define. Com ou sem uma destas coisas nós não deixamos de existir. Ter ou não uma destas coisas não faz de nós melhor ou pior do que ninguém. Só significa que temos que rever as nossas prioridades, traçar novas metas, mudar as nossas prioridades e repensar os nossos planos.

Frase/ditado
Se não valorizares a família o que é que valorizas?
Se não acreditares em ti, quem vai acreditar?

Eu quero que as pessoas olhem para mim como um ser humano decente, trabalhador; como uma mulher que ama a sua família e é temente a Deus. Muitas vezes esquecemos que somos todos seres humanos e que estamos apenas de passagem por este mundo.

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One Comment Add yours

  1. Rita de Cassia diz:

    Oi Marcela! Tudo bem com você? Eu simplesmente amei ler sobre a vida dessa mulher tão desbravadora! Que exemplo de tudo!! Foi um lindo aprendizado para mim! Tocou-me de uma forma inexplicável. Parabéns a Marlene e também a você. Bjs. Rita

    Liked by 1 person

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