Porque todas nós nos encantamos pelos Cinquenta Tons de Grey

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A está altura do campeonato acho que quase todos nós já ouvimos falar e muito dos Cinquenta tons de Grey ou Fifty Shades of Grey. Muitos ouvirem alguma coisa sobre o assunto e nem sequer sabem do que se trata mas ainda assim o tal Grey despertou uma certa curiosidade.  Eu acredito que cada um de nós chegou até o senhor Grey do seu jeito.  As opiniões foram mistas: Muitos adoram, outros detestaram e temos também aqueles que não acharam piada alguma nem intenderam o porquê de tanta animação em torno deste assunto. E foi desta forma que  em  2015 depois de ouvir falar do livro por todo o lado mas ainda sem saber do que se tratava, ou melhor sem saber que se tratava de um  romance erótico, eu fui a uma livraria Sul Africana e comprei uma cópia. É importante dizer que li os livros em inglês porque faz muita diferença ler em inglês porque não quis correr o risco de perder nada na tradução.

Li Fifty Shades of Grey em dois dias, se tanto. Mal acabei de ler o primeiro livro, comprei logo o segundo livro Fifty Shades Darker, este devorei num voo Cape Town|Luanda; dias depois já em Luanda li o terceiro livro Fifty Shades Freed. Um ano depois saiu Grey e sem nem pestanejar eu comprei e devorei este também. Depois de ter lido todos os livros e porque sabia que a estória foi comprada por um estúdio de Hollywood e que os filmes não tardariam a sair fiquei logo entusiasmada em ver como a estória de Christian Grey e Anastasia (Ana) seria retratada nas telas do cinema. Os quatro livros  foram reduzidos em três filmes. Cada um nos mostra o universo e as estórias de Christian Grey e Anastasia Steele de forma detalhada e apaixonante.

Antes de continuar com este texto sinto-me na obrigação de informar a cada um dos meus queridos e queridas leitoras que eu sou defensora das estórias contadas por intermédio de textos escritos. O cinema e a Literatura são duas artes distintas e cada uma delas tem os seus méritos e os seus encantos. Como estudante de literatura tenho uma tendência natural de querer defender o texto escrito salve em algumas poucas ocasiões mas infelizmente por mais lindos e excepcionais que sejam os actores que interpretaram Christian e Ana no cinema, ainda assim na minha não tão humilde opinião os filmes não fazem jus aos livros. Por um lado temos livros longos e volumosos que para caber dentro das restrições do cinema foram resumidos a tal ponto que na sua transição do papel para as telas quase perdemos a essência da estória. Por outro lado temos o facto de que na busca de sucesso comercial e para atingir mais publico a estória de Christian e Anastacia deixou de ser erótica e virou um romance, com um pouco de aventura e algumas cenas de sexto explicito.

Nos três primeiros livros o leitor segue as estórias através dos olhos e mais importante das experiências de Anastasia. Em cada um dos três primeiros livros o leitor conhece a estória através dela. É pelos seus olhos e pelas suas experiências que tudo chega até nós. Mas mais do que as estórias que ela nos conta ou mostra. A autora permite que o leitor tenha acesso aos sentimentos e a mente de Anastacia. O leitor tem acesso em primeira mão a tudo que ela sente, tudo que ela vê e até a forma como ela formula os seus pensamentos. E é por aí que nós entramos para este mundo. E é por isso que tudo é mais sexy, mais sensual, mais picante! O leitor, principalmente, a leitura consegue identificar no comportamento de Ana, nas suas emoções e sensações, a medida que ela descobre mais sobre o seu corpo, sobre o prazer como dar e como receber prazer, a leitora também descobre sensações em comum, a leitora questiona algumas coisas e deixa-se levar pelos protagonistas para reviver coisas que já viveu, para levantar questões sobre sensações que nunca sentiu e para uma nova realidade de possibilidades na sua pacata realidade.

O quarto livro; Grey, nada mais é do que o primeiro livro Fifty Shades of Grey, contado através dos olhos, das emoções, dos sentimentos e pensamentos de Christian Grey. E isso para as mulheres é uma bandeja cheia porque temos a oportunidade de perceber as coisas sobre o ponto de vista do Christian. Nós temos finalmente uma abertura e nos é permitido perceber mais e entender os seus traumas de infância, como e porque Christian se transformou nos 50 tons de ***

Ao ler cada um dos livros acompanhamos a evolução dos personagens. São livros longos e volumosos sim, com muitas cenas de sexo mas temos mais do que isso. Temos a construção e a evolução destes personagens. A cada livro a estória evolui, as coisas são reveladas e fazem um pouco mais de sentido. Os medos, as duvidas, aos poucos, as perguntas começam  a ter respostas.

Em contrapartida, nos três filmes temos uma estória de amor entre Christian e Ana contada como um romance com algumas cenas de aventura e muitas cenas de sexo que mais parecem ser completamente gratuitas. Nos filmes as emoções são mais contidas, e para aqueles que não tiveram a oportunidade de ler os livros algumas cenas parecem simplesmente ter aparecido do nada. Mas ainda assim somos completamente envolvidos e nos deixamos levar pela magia e por todo o encanto visual do cinema que nos três filmes tem a capacidade de nos transportar de um jeito que os livros não conseguem fazer: O estilo de vida luxuoso de Christian Grey ganha vida literalmente diante dos nossos olhos. As roupas, os carros, arquitectura, cenários mágicos. No cinema e porque o titulo já diz tudo, as coisas giram mais em torno de Christian.

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Perguntaram a EL James (autora dos livros) porquê as mulheres gostam tanto de Christian Grey? A resposta dela foi: “Porque ele não é real!„ e é verdade.  Essa é a fantasia de muitas mulheres nos livros assim como nos filmes. Esse casal é o casal dos sonhos. Eles são jovens, bonitos e ricos. Ana é uma jovem virginal, inocente, com poucas experiências de vida antes de conhecer Christian. Estudante de Literatura, ingénua. Christian apesar de ser muito jovem é um homem do mundo, multi-milionário, poderoso, dominador e em controle na vida e no sexo. O modelo de homem alpha, Alguém que construiu um império por mérito próprio apesar de ter vivido uma infância difícil e traumática.

E a pergunta que eu faço é a seguinte: Será que as mulheres gostam tanto de Christian por ele não ser de verdade? Ou será que o quê nos fascina tanto nestas estórias é a possibilidade que cada um de nós tem de ser mesmo que apenas por alguns instantes uma Anastacia ou de que existe uma Ana em cada uma de nós?

A personagem da Anastacia muito mais do que a do Christian chama a minha atenção. Ela é muito mais interessante. Apesar da inexperiência, da inocência, da sua juventude, acho a Ana mais interessante e mais cheia de possibilidades porque nós as leitoras somos  um pouco a Ana, todas nós temos algo de Ana dentro de nós e porque os livros, principalmente os três primeiros foram escritos com as leitoras mulheres em mente. Os livros foram escritos para nós mulheres.

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A leitora descobre as coisas junto com ela, evoluímos juntas. No final do último livro temos Anastacia, uma mulher mais madura, com emprego e uma carreira brilhante e em ascendência. Ao seu lado ela tem o homem que ela ama, um marido atencioso, rico, bonito, charmoso, desejado; enfim o marido dos sonhos que além de tudo tem a capacidade de lhe proporcionar um tipo de prazer fora deste mundo — e orgasmos múltiplos. No final da estória, Ana tem um casal de filhos e a vida dos sonhos.  Ao longo da estória ela passou pela sua dose de experiências difíceis, entre perseguições, sequestros, atentados e várias crises com Christian; ela descobriu um mundo muito diferente daquele que ela um dia imaginou que existisse. Ao lado de Christian, a Ana tem a oportunidade de descobrir o mundo, com a sua ajuda ela não só abre os olhos para o mundo a sua volta, ela também descobre mais sobre si, sobre os seus desejos, sobre a sua sexualidade, sobre o prazer.

A Ana cresceu em vários aspectos por causa do que viveu com o Christian e ao lado de Christian que também passou por muitas reviravoltas ao longo da estória. Ele visitou alguns traumas do passado, aprendeu a lidar com novas situações e principalmente a viver com os traumas da sua infância de uma maneira mais saudável. Até no sexo ele passou a experimentar e a gostar da versão mais papai|mamã para agradar a Ana.

É claro que podemos pensar que Christian e Ana vão ser felizes para sempre como alias a estória indica, mas não acreditamos neste tipo de estórias, na verdade nós nem sequer acreditamos mais em contos de fadas. Nós já vimos e vivemos bastante para saber que não é bem assim e não ficamos abatidos nem decepcionados por isso. Eu acho que o leitor não se chocaria em saber que anos mais tarde eles seguiram caminhos diferentes. Que sei lá 15 anos depois,  o casamento dos dois chegou ao fim. Talvez depois do terceiro filho. Talvez a Ana se cansou do sexo acrobático com a mesma pessoa e o Christian finalmente se interessou por uma mulher de cabelos loiros e não tem nada de mais nisto.

Esta estória foi boa por tudo aquilo que ela é e pelo que representa. Ela é uma distração, divertida e para muitos dos leitores uma fantasia maravilhosa mas ainda assim apenas uma fantasia. Ela nos deu uma leve introdução ao universo do S&M. A estória de Christian e Ana foi sensual, erótica, uma aventura e tanto. Eu raramente paro para rever os filmes. Vi todos os filmes e foi bem ter visto todos eles. Li todos os livros. Esses sim eu li atentamente e mais do que uma vez. Várias vezes voltei para reler algumas passagens. Até bem pouco tempo tinha os livros na minha mesa de cabeceira porque eu acho que mais do que qualquer coisa cada um tem que ter controle sobre o seu corpo e o seu prazer. Seu e de mais ninguém.

Para todas as pessoas que ainda não leram os livros mas viram os filmes e para as que ainda não leram nem os livros nem viram os filmes, acho que é importante salientar que os filmes são uma mera adaptação dos livros. Os filmes são baseados nos livros mas estão longe de ser a mesma coisa. Cada obra tem que ser avaliada pelo seu próprio mérito mas eu aconselho quem puder, ler os livros e só depois ver os filmes porque mesmo com todas as criticas eles valem muito a pena serem vistos, nem que for apenas para realizar todas as suas fantasias sensuais e românticas da tela do cinema.

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2 Comments Add yours

  1. Toladizer diz:

    Eu sempre, quase sempre me decepciono com os fillmes depois de ler os livros! Nada como ler uma boa historia de amor.

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    1. marceladeaguiar diz:

      Comigo acontece a mesma coisa.
      Obrigada pelo comentário 😊

      Gostar

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