Welwitschia Neto: Uma conversa com a mulher a frente da marca Wan Kiamy

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Welwitschia ou Witschia como é chamada em família nasceu em Julho, um ano antes da geração que hoje chamamos de Milenials. Mas isso não fez dela menos interessada em empreender, muito pelo contrário, no final das contas mostrou que ela faz parte de uma geração que ainda tem um grande apreço por algumas convenções e que para algumas coisas é mais tradicional do que pensei. Não posso dizer que sempre soube que criaria uma marca, mas posso afirmar que a criatividade esteve aí desde pequenina e que em momento algum ao longo de toda a sua vida ela deixou de alimentar o seu lado criativo.

Uma das perguntas que eu gosto de fazer para mim mesma todas as vezes que sento com alguém para uma conversa é a seguinte:

Porquê escolhi falar com aquela pessoa? E em quê a sua estória pode ajudar na minha trajectória e na trajectória dos meus leitores?

Quando convidei a Witschia para uma conversa pela primeira vez a mais de quatro anos atrás, era para ser uma conversa sobre a sua rotina, seus cuidados e produtos de beleza. Eu lembro que na altura achei oportuno porque ela era a editora de Beleza da revista Chocolate. Mas lembro também que ela já tinha dito que não usava muita coisa. Na verdade ela alertou-me desde o início que não tinha muita coisa para mostrar. Eu teimosa, achei que quando lá chegasse a coisa mudaria de figura; uma espécie de São Tomé: Tinha que ver para crer. Posta em sua casa, pude ver que ela tinha sim pouquíssimas coisas. Não sei porquê da minha surpresa afinal ela sempre foi minimalista.

Eu olho para ela e vejo uma jovem mulher que sempre soube o que queria fazer da sua vida. Ela é a responsável pela marca Wan Kiamy. Com passos muito bem calculados consigo ver a olhos nus a evolução da marca e o progresso que ela tem feito tanto no campo pessoal assim como no profissional.
Eu tenho a vantagem de conhece-la mais de perto e acho que isso torna as coisa mais fáceis, ou talvez não. Nós conhecemo-nos desde que nascemos (somos primas) e crescemos muito próximas uma da outra. Mas ainda assim tive que esperar anos para finalmente sentar e conversar com ela antes de preparar este blogue post.

Eu quis sentar com ela porque queria que ela partilhasse com os meus leitores um pouco mais sobre o seu estilo despojado. Sobre a sua marca e sobre a sua carreira. A minha esperança com isso é mostrar como cada um de nós constrói um caminho único. Pois com cada conversa eu percebo que não existe apenas uma forma de fazer as coisas, que não existe apenas um caminho. O jeito certo não existe, muito menos uma formula mágica que funcione para todos.

Ao chegar a sua casa logo senti que estava a entrar para um lar. Me deparei com uma casa serena, arrumada e tranquila. Cada coisa estava no seu devido lugar. Nem parecia que ali vivia uma criança de tão arrumada e silenciosa, mas vivia sim. Quando perguntei a ela se a casa estava sempre assim ela respondeu que sim. E faz sentido, pois a sua casa é a sua cara: Simples, despojada e serena, como se não tivesse uma única preocupação na vida.

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Como foi a escolha do nome da sua marca?
Wan vem do seu nome e Kiamy em Kimbundo que significa meu ou minha.

A marca é mais composta de acessórios: pastas, carteiras, chapéus, óculos e outras coisas que ainda estão a ser desenvolvidas.

Da altura em que tivemos a nossa conversa ainda não tinha um local físico (uma loja) cá em Luanda para a venda dos produtos. As pessoas que a conhecem entram em contacto, através da página da marca no Instagram. Mas soube que também vende em Lisboa/Portugal na Lefrique Concept Store.
No dia 24 de Junho de 2017 a marca comemorou oficialmente um ano. Foi lançada em 2016 no Angola Fashion Week. A marca surgiu por este amor pelas artes. Fez uma formação Londres e Italia. Mas o que mais chamou a sua atenção foram os acessórios e não a roupa. Fez um ano intensivo e depois foi fazendo aos poucos para ter todos os créditos. Começou por fazer moda enquanto ainda estava a fazer a faculdade de Psicologia, mas depois de terminar decidiu especializar-se em moda.

Tive o cuidado de perguntar a ela em que ocasião devemos usar uma das suas peças e ela disse que as coisas que faz são para serem usados em várias ocasiões. Para o dia-a-dia e para ocasiões especiais. Os chapéus para casamentos e festas de gala que já se vê as mulheres usarem com alguma frequência.

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Imagens Retiradas do Instagram da marca Wan Kiamy 

De onde vem a sua inspiração?

Uma música, uma pintura…

Quem ou como é a pessoa que usa a sua marca?

Uma pessoa que tem a mente aberta, para além de contemporânea e clássica. Alguém que queira uma peça diferente no seu guarda roupa.

Eu olho a minha volta e reparo que em sua casa e até mesmo na escolha das suas peças, tem tudo um toque muito subtil, uma decoração simples e minimalista. É proposital. Ela diz que não gosta de ter muitas coisas a volta. Gosta de espaço para andar para sentir-se bem e estar a vontade. Ela conta que ter um filho em casa também facilita a não ter muita coisa espalhada pela casa; coisas que partem por exemplo mas também tem a ver com o trabalho:

Mentes criativas costumam ter as coisas espalhadas por todos os cantos. Tem as coisas espalhadas mas chega um dia em que tem que por tudo em ordem. Arruma as coisas todas e quando senta para fazer o trabalho já tem as coisas todas arrumadas no seu lugar.

Trabalha muito em casa, na mesa, ou no seu escritório. Muitas vezes quando está no carro, vê algo, faz um esboço e quando chega a casa senta e trabalha naquilo.

Quando acabas uma coleção já estas a pensar na próxima. Junta todos os esboços que vai fazendo ao longo dos dias em que está a preparar as outras coleções, depois senta e organiza tudo.

Em relação a produção e ao tempo que leva para apresentar novas coleções dos seus acessórios ela disse que leva um pouco mais de tempo entre uma coleção e outra, mesmo pelo tempo necessário para produzir, corrigir os esboços e no seu caso como não são produzidos em Angola isso também influencia. Pode levar de três a seis meses.

Como tem sido a recepção da marca e como tem sido trabalhar cá e fora de Angola?
Witschia: Em termos de publico aqui tem tido um feedback bom e positivo. As pessoas gostam, dizem que é diferente e que as suas peças têm qualidade. Lá fora também.

Não temos fabricas nem matéria prima, a única coisa que é feita cá são os chapéus. Ela trás a matéria prima de fora e faz cá em Luanda. Os sapatos e malas são feitos em Portugal e os óculos em Italia.

Como foi entrar para o mercado angolano?

Witschia: Acho que tem sido tranquilo.

O facto de ter trabalhado com moda antes ajudou ou não?

Witschia: Quando trabalhei cá com moda já tinha isso em mente, só adiei por algum tempo. Ter lançado a marca no Angola Fashion Week ajudou sim. Deu maior visibilidade a marca. Por participar do evento, das entrevistas a marca logo no início ganhou maior visibilidade.
Muitas pessoas chegaram até a marca através da página, porque me conhecem, ou através do boca à boca. Alguns dos seus acessórios já apareceram na revista Chocolate e isso também trouxe maior visibilidade para a marca.

Pedi a ela para ir a busca de algumas peças que ela tinha em casa e pedi par ver e fotografar tudo.

Logo em seguida mudamos um pouco o rumo da conversa para falar sobre os seus cuidados de beleza.

Diferente da minha mãe, eu nunca fui aquela típica vaidosa. Só comecei a me maquiar depois dos 22. Não vou dizer que na adolescência não experimentei. Sim experimentei mas nunca fui vaidosa.

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Uma amostra fiel dos seus produtos de beleza

Ela começou logo por dizer que os produtos aos que é realmente fiel não muda.

Apaixonei-me pela L’Occitane. Uso a mais de 10 anos. Uso sempre um batom de cieiro, outros batons só em ocasiões especiais quando vou sair, mas também não uso muito e estão espalhados por aí. Uso batons de tons vermelho, rosa ou cor de boca. Os novos, as tendências, os batons muito escuros acho que não me favorecem.

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Usa Dior, MAC, Estée Lauder, Fashion Fair. Para maquiagem, usa muito pouca coisa. Quando usa fica pela base, Rouge nas maçãs do rosto, mascara para os cílios e é muito mais por aí. Gosta das bases da MAC, Dior, Chanel, Lancôme. Já a mascara para os cílios gosta da Givenchy. Também são as marcas que escolhe para o resto dos seus produtos de maquiagem. Compra os seus produtos fora de Angola quando viaja e de uma forma geral usa produtos que consegue encontrar facilmente por quase toda a Europa e aquilo que não consegue encontrar nas lojas basta ir a amazon e encomendar para entrega.

O que a motiva a escolher e comprar os produtos que usa?

Como também tem o curso de maquiagem artística sabe bem o que fica bem na sua pele, não gosta daquela maquiagem que deixa a sua pele pastosa.Gosta de usar uma máscara para os cílios da cor preta e de vez em quanto usa usa uma máscara para os cílios da cor azul. E não a nada de extraordinário, no dia-a-dia não gosta nem de fazer uns olhos esfumassados. A não ser que esteja a fazer uma seção fotográfica, nunca faz uma maquiagem mais carregada ou ousada. Olhos fumados ou algo do género não são coisas que faz normalmente. Pincéis tem um monte, espalhados, cada pincel para uma função.

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Nunca fez dietas nem antes nem depois da sua primeira gravidez.

Nunca mudei muita coisa. Sempre pintei o cabelo, sempre fui de mudar a minha imagem constantemente. Durante a gravidez parei mas depois voltei a pintar.

Já usa o cabelo natural a muitos anos. Durante algum tempo na adolescência alisou mas depois cortou e parou. Em relação aos produtos que usa não é muito fiel a uma marca. Posso usar a Mizani, como Kérastase, Beadhead, Headken, Cantu, depende da forma como os produtos vão reagir ao seu cabelo. Gosta de experimentar coisas novas.

Por norma vai ao Ochiburi que está localizado na praia do Bispo. Faz os pés e as mãos, peeling e exfoliação. A massagem de pedras quentes e a massagem Tailandesa são as suas preferidas. Como frequenta o espaço a alguns anos conhece as pessoas que lá estão a trabalhar. Já usou gelinho e acha que tem lá a sua piada porque demora muito tempo. Mas as cores que usa são sempre muito neutras, rosa claro, ou apenas a base.

O único motivo que a levou a alizar o cabelo e a fez continuar foi porque tinha muito cabelo e com ele liso a escova passa mais facilmente. Com os fios lisos, cuidar do cabelo é um processo rápido e está a andar. Mas percebeu que com isso também tinha que ter muitos outros cuidados com o cabelo e como não é de ir sempre ao salão e ter muitos cuidados acabou por desistir. E como tinha saudades dos seus cachos parou de alisar.

Por norma cuida do cabelo em casa, faz uma mascara, deixa secar ao ar livre ou com o secador e não tem que se preocupar muito.
Ao salão vai para fazer uma hidratação mais profunda ou para cortar o cabelo.

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Imagem retirada do Instagram da Witschia

Para o cabelo não é muito fiel a nenhum salão. Mas ultimamente tem ido ao salão Diva no DeAna Spa. Geralmente vai ao salão uma vez por mês. Não é disciplinada com o cabelo. Por vezes usa um óleo para as pontas do cabelo, tem sempre que usar algo para hidratar o cabelo porque tem o cabelo bastante seco. Penteia o cabelo apenas quando lava e depois tenta não desembaraçar mais.

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Ela contou que quando quer algo mais elaborado o máximo que leva são uns 45 minutos  de preparação. Mas em termos de maquiagem nunca demora muito mais do que 30 minutos.

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Quando as mães são vaidosas e as filhas não elas tentam sempre influenciar as filhas. A minha mãe via isso como um certo desleixo. Mas eu sempre tive um estilo próprio, sempre gostei de me sentir confortável. Mas com o passar dos anos conheceu e entendeu melhor o seu estilo. Dentro do seu estilo hoje tem a sua vaidade.

Eu disse a ela que como mãe de um rapaz não tinha esse problema mas muitas mulheres querem ter meninas porque querem passar o estilo e a vaidade para elas.

Witschia: Eu acho isso um bocado relativo. Para mim depois de ter sido mãe tanto faz se for menina ou rapaz. Agora que já tive um rapaz obviamente que queremos uma menina para ter um casal de filhos ou um filho do outro sexo. Se tiver uma menina não sei se vou passar o meu estilo para ela. Talvez tente influenciar mas não sei até que ponto. Eu por acaso gosto de algumas coisas que a minha mãe usava. As coisas que ela tem dos anos 60 aos anos 80. O que ela tem e não usa ela passou para mim. As coisas no estilo minimalista ela incorpora ao seu estilo.

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Com a sua mãe: Imagem retirada do seu Instagram 

Tem um filho pequeno, mas a casa não está desarrumada não tem nada fora do lugar?

Ela conta que os brinquedos do filho estão no quarto. Diz que ele tenta levar a confusão para a sala mas depois ela e o pai do menino levam as coisas de volta. Só fica fora o que ele está a usar. Ele brinca e logo depois eles incentivam a arrumar.

Uma casa muito calma, muito tranquila, ela conta que com ou sem o filho em casa de uma forma geral tem a casa tranquila. Tem os momentos em que põe uma música, por vezes o filho puxa ela e o pai para dançar mas tem momentos em que o filho fica no seu canto quieto a ver os seus vídeos e bonecos no Ipad.

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Com o seu filho: Imagem retirado do seu Instagram 

E como não podia deixar de ser, perguntei a ela como ela faz para dividir o seu tempo já que está parece ser uma preocupação de muitas mulheres?

Welwitschia: Não é fácil ser mãe dona de casa, mulher empreendedora e dar atenção a todas essas coisas principalmente com as viagens que tenho que fazer.

Quando viaja a trabalho deixa o filho com o marido e os avós dos dois lados que ajudam muito.

Ajuda bastante quando tu tens um parceiro e uma família que está aí para dar todo o apoio sempre que for necessário.

Ela contou que as coisas são muito mais fáceis porque a anos tem ao seu lado e numa mesma pessoa o seu namorado, seu parceiro, seu marido.

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Com a sua familia: Imagem retirada do seu Instagram

Também não podia deixar de perguntar até aonde ela quer chegar com a sua marca?

A marca começa com os acessórios mas ela pensa expandir. Chegar a roupas. Mas sob-medida. Fazer jóias. Tudo que envolva acessórios e sapatos. A prioridade são sempre os  acessórios.

A tua marca é a tua única fonte de renda é a tua prioridade?
Quando tu crias uma empresa ou uma marca, praticamente tens que estar virado para aí porque se fizeres outra coisa vais deixar aquilo para atrás e se queres que funcione tens que estar ali de corpo inteiro 24 horas por dia. Se for de outro jeito isso não vai dar certo. Para além do lado criativo tem também no lado corporativo e administrativo.

Sempre esteve mais inclinada para o lado artístico mas antes estudou Psicóloga e Socióloga na Liverpool John Moore University. Só mais tarde é que fez moda no Instituto Marangoni, Instituto di Burgo e The London School of Media Makeup: Fashion Design & Artistic Makeup como era a sua paixão. Deixou-se levar por este caminho tanto que hoje a sua única ocupação é como designer de moda.

E como não podia deixar passar aquela oportunidade no final da nossa conversa fui conhecer o seu lugar de trabalho em casa.

Muitas vezes quando converso sobre a vida, sobre carreira e sobre as escolhas que cada uma das minhas entrevistadas fez para ser a pessoa que sempre quis ser eu reparo que todas aquelas pessoas que escolheram caminhos mais convencionais não sentem necessidade alguma de explicar muito menos de justificar as suas escolhas. Percebo que estas pessoas passam pela vida com o privilégio de não serem questionadas sobre as suas escolhas. É raro alguém questionar quem escolhe seguir medicina, economia. Ninguém se justifica por ter escolhido estudar e trabalhar em fianças ou quem escolhe fazer advocacia ou engenharia. Mas quase todas as pessoas que escolheram fazer artes liberais, uma carreia mais criativa ou menos convencional são questionadas por todos inclusive por elas mesmas.
Existe muita incerteza em torna de uma carreira que envolva criatividade, empreendedorismo e arte. Mas mais do que isso existe muito preconceito e longos anos de propaganda negativa, ideias antiquadas e estereotipadas em relação a uma carreira criativa ou liberal.

Muitos acham que não da dinheiro; o que não é verdade. Muitos acham que não se trabalha; o que também não é verdade. Muitos acham que quando da certo deve-se a sorte; o que também não é verdade. E outros acreditam que não envolve nem sacrifícios; não precisa estudar muito, ou que não precisa estudar de um todo. Errado! Errado! Errado! Mas infelizmente até muitas das pessoas que escolhem enveredar por este caminho fazem parte do problema e acabam por ajudar a perpetuar este tipo de estereótipo e preconceitos e o tempo todo em que eu conversei com a Witschia ficou claro para mim que ela não tem problema algum com a escolha que fez. Muito pelo contrário o orgulho e a certeza de que está a fazer algo legítimo e digno de respeito como qualquer outra escolha profissional ficaram evidentes em tudo aquilo que ela disse e em tudo que a sua marca representa.

Trabalho duro, trabalho árduo, ficar acordada noites a fio a trabalhar, trocar o dia pela noite e vice versa, trabalhar quando ninguém está a ver, fazer parecer que fazer o que fizemos todos os dias não da trabalho nenhum; lidar com os medos, incertezas, com a rejeição, a reprovação dos outros e com os nossos próprios preconceitos. Isso faz parte  da nossa arte.

As perguntas que devemos fazer são as seguintes: Será que ela está a fazer aquilo que gosta? Está a fazer um produto de qualidade? Está a trazer uma mais valia para o país? Está a gerar empregos? Está a elevar o bom nome do nosso país? Eu espero que que as respostas para todas estas perguntas sejam sim.

Nós somos o que somos e cada um de nós faz aquilo que está ao seu alcance para ter a melhor vida possível.

Para mim ver uma mulher singrar na vida é muito bom. É algo positivo, e da-me forças na minha caminhada. Cada um de nós tem as suas dificuldades e as suas limitações e não é fácil nem tão simples fazer o que temos que fazer um dia após o outro. Não acredito que a vida de uma única pessoa nem que ouvir a trajetória desta ou daquela vai mudar tudo nas nossas vidas; mas acho que sempre pode mexer, mover, mudar, melhorar, impulsionar ou acrescentar alguma coisa. Cada estória pode ser uma semente. A mudança ainda que seja pequena e que parece insignificante por si só vale muito a pena.

A Witschia com a sua maneira peculiar de ser, sempre fez as coisas a seu tempo. De certa forma acho que ela sempre soube o que queria fazer da sua vida. Sempre soube que mais cedo ou mais tarde estaria a fazer exactamente aquilo que está a fazer hoje. Ela soube dar tempo ao tempo. Soube ser paciente.

Antes de criar a sua marca trabalhou como editora de Moda e Beleza para a revista Chocolate, trabalhou também em vários outros lugares e já colaborou com algumas das estilistas mais renomeadas no nosso País. Tudo isso para ganhar experiência, para treinar o seu olho e agregar valor ao seu currículo. Ela soube investir na sua formação, escolheu ampliar os seus conhecimentos. Eu hoje percebo que com o seu jeito calmo de ser desde muito nova ela soube criar uma grande linha de contactos e sempre foi muito boa a fazer network. Hoje tudo isso começa a dar frutos.

Podemos ver na forma como ela conseguiu introduzir a sua marca no mercado, na qualidade de cada uma das suas peças e em cada uma das suas conquistas. Como ela mesma disse: Ainda quer muito mais para a sua marca, mas cada coisa a seu tempo.
Para já, como já se tornou uma espécie de costume entre as minhas entrevistadas ela está nos preparativos para a chegada do seu segundo filho; desta vez uma menina. E quem sabe depois do nascimento da sua filha não vamos ver surgir uma Wan Kiamy  e uma Witschia ainda mais forte e mais feminina.

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5 Comments Add yours

  1. Claudia diz:

    Wow!!!
    Marcela cada dia melhor, sério, esta estória “tocou-me” fundo e ao ler uns dos últimos parágrafos pensei numa frase: “do what makes you happy”
    E pensei também no “ choque” que levei depois de ter terminado o meu curso e ter voltado para Angola-Luanda … tive momentos que pensei que tivesse escolhido o curso errado, mas ao longo do tempo fui percebendo que não era o curso errado, era só a sociedade em que eu estava inserida que ainda não via com bons olhos uma Interior Designer… mas fui criando,
    Fui fazendo outras coisas, que me faziam feliz, e acho que ao fim a cabo isso é que importa … gostei da história da Witchia, das experiências que ela viveu , o que foi plantando para colher os frutos!
    Pelas fotos os acessórios dela parecem MUITO BEM feitos, e dela não esperava outra coisa!!!
    Adorei,
    Bjos

    Liked by 1 person

    1. marceladeaguiar diz:

      Que bom Cláudia,
      Acho importante partilhar estas estórias porque precisamos saber e ver que o caminho de cada pessoa é diferente.
      Não tem sido fácil dar seguimos mas ver comentários como este é ter o teu apoio e o apoio de outros leitores fiéis ajuda muito.
      🙏🏾🙏🏾🙏🏾😘😘😘😘

      Gostar

  2. Bendita Lopembe diz:

    Adorei como sempre 😍bom trabalho Marcela tudo de bom😘😘😘

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    1. marceladeaguiar diz:

      Obrigada Bendita 😘

      Gostar

  3. Bendita Lopembe diz:

    Beijos 😘😘😘 Marcela!

    Liked by 1 person

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